“Temos que ser mais ativos na construção de um mundo igualitário”

“Temos que ser mais ativos na construção de um mundo igualitário”

Catarina Furtado, apresentadora, atriz e embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População esteve em Famalicão, para falar de igualdade e de voluntariado, no Dia Municipal para a Igualdade, celebrado no dia 24 de outubro, em Vila Nova de Famalicão. Cidade Hoje conversou com ela para conhecer melhor o seu pensamento sobre este tema.

Assim, para Catarina Furtado há diferentes tipos de voluntariado: o assistencialista que leva a comida e a roupa a quem mais precisa e, depois, aquele que é mais profundo e vai apoiar a pessoa para lá das necessidades da comida e da roupa.

Não é uma crítica que faz às instituições/pessoas que praticam este tipo de voluntariado, que acredita ser fundamental e defende até que sejam apoiadas e subsidiadas para que possam desempenhar um bom serviço. Mas é de opinião que é necessário um voluntariado que vá mais fundo e procure ajudar a pessoa a sair da situação em que se encontra. Esta é a promoção da igualdade que defende para o país e para o mundo.

Para Catarina Furtado não existem barreiras físicas nem fronteiras, por isso se tornou embaixadora da Boa Vontade com trabalho em África em defesa da saúde, incluindo a sexual e reprodutiva, igualdade de género, violência sobre as mulheres, discriminação, envolvimento masculino, mutilação genital feminina, maternidade segura, maternidade/paternidade adolescente, planeamento familiar, entre outras. Daqui nasceu também o programa de televisão “Príncipes do Nada”, que mostra situações de dificuldades nestas áreas. E, para contar o que não foi transmitido na televisão, Catarina Furtado editou agora o livro “O que vejo e não esqueço”.

«O que mostro aos espetadores é muito pouco relativamente ao que eu vivo no terreno. É impossível assistir a mortes evitáveis e esquecer, é impossível perceber que se podem mudar mentalidades, que se podem mudar realidades e que se pode fazer com que os direitos das pessoas sejam reconhecidos e não fazer nada e esquecer», relata ao Cidade Hoje.

Na perspetiva da apresentadora da RTP, não podemos ser passivos perante os outros e as suas dificuldades. «Temos que ser ativos na construção de um mundo bastante mais igualitário, justo, saudável e partilhável», analisa.

Catarina Furtado acredita que com mais informação sobre os problemas das pessoas, haveria mais empatia. Acredita inclusive que a empatia pode ser estimulada na sala de aula, para que as pessoas aprendam o valor da solidariedade.

Em 2012 criou a associação “Corações com Coroa”, que promove a cultura, a solidariedade e a inclusão junto de pessoas vulneráveis. «Queria uma ONG que fizesse projetos aqui dentro e lá fora», revela. Esta associação presta atendimento gratuito todos os dias nas áreas da assistência social, psicologia, nutricionismo, apoio dentário e jurídico. Já é uma estrutura com alguma dimensão porque tem oito postos de trabalho, além dos voluntários. «Nisto da igualdade há muito a fazer e muitos passos a dar», conclui na entrevista à Cidade Hoje.

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