Roupa tingida com desperdícios orgânicos

Folha de eucalipto, café usado, casca de cebola, rubia, restos de madeira e sementes servem para tingimentos naturais para têxteis. A utilização destes desperdícios orgânicos fazem parte de um novo sistema, sem recurso a produtos químicos, desenvolvido pela Minority Denim, designado BioTint.

Este processo reduz significativamente o impacto ambiental e faz prova da tendência crescente em aliar a moda com a sustentabilidade.

Diogo Aguiar, CEO da Minority Denim, conta que o BioTint começou a ser desenvolvido há três anos e está no mercado desde o início deste ano. «O feedback está a ser muito positivo porque este projeto vai muito mais além da questão da sustentabilidade. São resíduos que à partida não teriam valor acrescentado na economia e nós voltamos a dar uma segunda vida a estas matérias-primas no tingimento das peças», refere o empresário de 34 anos.

O BioTint foi totalmente concebido pela empresa famalicense no seu laboratório de desenvolvimento na área têxtil. A recolha dos materiais orgânicos é garantida pela Minority Denim, que assegura também, dentro de portas, todas as fases de produção, estando a desenvolver equipamentos para poder aumentar a capacidade.

Com o BioTint, a empresa já conseguiu uma paleta de nove cores para tingimento natural. Rosa, laranja e amarelo são algumas das cores testadas e, neste momento, estão em desenvolvimento cinco novas cores.

Diogo Aguiar espera conquistar clientes que partilhem dos mesmos ideais de sustentabilidade e de economia circular e que demonstrem interesse neste produto específico.

A Minority Denim está instalada no Parque Industrial de Avidos, onde em abril do ano passado inaugurou novas instalações, com o apoio do Famalicão Made IN.

Inovação: Têxtil famalicense inventa processo de tingimento sem usar água

A Crafil, empresa de Oliveira S. Mateus, inventou um processo de tingimento de linhas de costura sem usar água. Este meio de produção amigo do ambiente já vinha a ser desenvolvido desde o início do ano passado e, neste momento, entrou em fase de aplicação.

«Já temos uma máquina protótipo e fizemos todos os testes», afirma Vítor Alves, 45 anos, líder e fundador desta empresa, que se dedica à produção de linhas de costura.

Segundo o empresário famalicense, trata-se de um produto premium feito a pensar num mercado restrito. «Fazemos linhas que há 15 anos, quando arrancamos com a empresa, era impossível imaginar que viriam a existir. Neste momento, já somos mais procurados pelas nossas inovações do que pelo preço», declara o administrador da Crafil, empresa que se especializou em linhas de costura para denim e exporta cerca de 65%.

Este processo de tingimento é apenas um dos exemplos da estratégia da empresa para produzir com valor acrescentado. Outro exemplo é a linha de costura de poliéster 100% reciclada a partir de garrafas de plástico PET.

Com 16 trabalhadores em Portugal, mais seis na Tunísia, a Crafil fechou 2018 com um volume de negócios de 2,3 milhões de euros, que este ano deverá registar um crescimento na ordem dos dois dígitos.

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