Estudo revela que exposição a composto químico na água da torneira está associada ao cancro da bexiga

De acordo com os resultados de um estudo de investigadores do Instituto de Saúde Pública de Barcelona (ISPB), divulgado em comunicado, Portugal está entre os países em que a concentração de trihalometanos (THM) compostos tem picos que ultrapassam o máximo de 100 microgramas por litro permitidos na União Europeia (UE) e que estão também estipulados na legislação nacional. Os dados compilados pelo estudo indicam, no entanto, que a concentração anual média de THM na água da torneira em Portugal é de 23,8 microgramas por litro.

Os trihalometanos (THM) formam-se no processo de desinfeção da água e são um conjunto de quatro compostos orgânicos: Clorofórmio (CHCl3), Bromodiclorometano (CHBrCl2), Dibromoclorometano (CHBr2Cl) e Bromofórmio (CHBr3). O potencial carcinogénico dos THM já era conhecido, mas o estudo divulgado hoje pretende estabelecer uma relação direta entre a exposição a esses compostos e casos de cancro da bexiga.

“Investigações anteriores haviam estabelecido uma associação entre a exposição prolongada a THM – seja por ingestão, inalação ou absorção dérmica – e o aumento do risco de cancro da bexiga”, refere o comunicado do ISPB.

O ISPB analisou a presença de trihalometanos na água da torneira de 26 países da UE, à exceção da Bulgária e da Roménia.

Em termos de percentagem, o ISPB lista como países com maior incidência de casos de cancro da bexiga atribuíveis a exposição a THM Chipre (23%), Malta (17%), Irlanda (17%), Espanha (11%) e a Grécia (10%). Portugal regista uma incidência de 9,1%.

No extremo oposto estão a Dinamarca (0%), a Holanda (0,1%), a Alemanha (0,2%) a Áustria (0,4%) e a Lituânia (0,4%).

Os autores do estudo, publicado no boletim científico Environmental Health Perspectives, analisaram dados recentes sobre os níveis de THM nas redes municipais de água da Europa e estimaram a carga de doença para o cancro da bexiga atribuível à exposição a este composto.

“O maior desafio foi recolher dados representativos sobre os níveis nacionais em todos os países da UE. Esperamos que estes dados estejam mais prontamente acessíveis no futuro”, disse Cristina Villanueva, investigadora que coordenou o estudo.

Os investigadores enviaram questionários a entidades responsáveis pela qualidade da água municipal a requisitar informação sobre a concentração total e individual de trihalometanos nas torneiras da rede de distribuição e nas estações de tratamento de água. Complementarmente, foram obtidos dados de outras fontes, como publicações ‘online’, relatórios e literatura científica.

Foram obtidos dados de 2015 a 2018 em 26 países da União Europeia, cobrindo 75% da população, que revelaram diferenças consideráveis entre países.

O nível médio de trihalometanos na água potável situou-se abaixo do limite máximo permitido na União Europeia em todos os países, mas os picos de concentrações máximas reportadas excederam o limite em nove países (Chipre, Estónia, Hungria, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Espanha e Reino Unido).

O número potencial de casos de cancro na bexiga foi estimado através de um cálculo estatístico relacionando os níveis médios de THM com a informação internacional disponível sobre as taxas de incidência deste tipo de cancro em cada país.

No total, os investigadores concluíram que 6.561 casos de cancro da bexiga por ano na UE são atribuíveis à exposição a trihalometanos.

Os autores do estudo recomendam que os países com níveis mais elevados de THM na água tratada façam esforços para reduzir esses compostos e estimam que, se os 13 países com os níveis mais elevados de THM reduzissem essa concentração, poderiam ser potencialmente evitados 44% dos casos anuais de cancro da bexiga atribuíveis a exposição a THM.

Governo diz que há “confluência de posições” sobre alargamento da ADSE

A posição consta de um comunicado do gabinete da ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, que recebeu o Conselho Geral e de Supervisão (CGS) do Instituto de Proteção e Assistência na Doença – ADSE, presidido por João Proença.

“Foi uma reunião produtiva e em que houve uma confluência de posições, designadamente ao nível do eventual alargamento dos beneficiários, da necessidade de renegociação de tabelas e de celebração de novas convenções”, avança a nota do Ministério de Alexandra Leitão.

O presidente do CGS, João Proença, à saída da reunião, considerou que o debate com Alexandra Leitão “foi um debate frontal em que senhora ministra assumiu a gestão estratégica da ADSE e as Finanças a questão financeira”.

Houve “sinais positivos” da parte da ministra sobre o alargamento a novos beneficiários, o pagamento dos reembolsos, a celebração de novas convenções e as tabelas, disse Proença.

Porém, o presidente do CGS lembrou que a proposta de alargamento a novos beneficiários, nomeadamente aos contratos individuais na administração pública, “está no Ministério das Finanças desde maio de 2018” sublinhando que “as questões não andam” para a frente.

“A senhora ministra disse que garante que vai colocar prioridade no alargamento (…) mas ficamos a aguardar decisões”, sublinhou João Proença, adiantando que não foram avançadas datas.

Sobre a renegociação das tabelas com os privados, o líder da Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e membro do CGS, José Abraão, adiantou à Lusa, por seu lado, que na reunião a ministra afirmou que pretende ver esta questão resolvida “até final do primeiro trimestre” ou o mais tardar em abril.

Famalicão: Já arrancou retirada de amianto na Escola Júlio Brandão

Foi no final do primeiro período letivo, depois do dia 17 de dezembro, que arrancaram os trabalhos de remoção de amianto na Escola Júlio Brandão, no centro de Vila Nova de Famalicão.

Este era um dos estabelecimentos que fazia parte da lista de escolas que ainda continha este material perigoso para a saúde humana.

A Cidade Hoje sabe que, todos os trabalhos do corpo docente, nomeadamente as reuniões de avaliação, foram transferidos para a escola Camilo Castelo Branco, de forma a facilitar a empreitada.

Escolas com amianto no concelho de Vila Nova de Famalicão

  • D. Maria II,
  • Nuno Simões
  • EB 1,2,3 de Arnoso Stª Maria e de Gondifelos
  • Secundária Padre Benjamim Salgado.

Na Escola Júlio Brandão, a remoção do amianto deve ficar concluída até ao regresso dos alunos para o segundo período, ou seja, até dia 6 de janeiro de 2020.

Taxas moderadoras deixam de existir nas consultas em centros de saúde

Algumas das taxas moderadoras dos cuidados de saúde primários vão deixar de ser cobradas em 2020, não se sabendo ainda a data exata nem quais as consultas que vão ser abrangidas. Como avança o Público, a isenção vai estender-se a todas as taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde até ao final da legislatura. O faseamento será feito por tipologia de ato clínico – consulta, meios de diagnóstico, tratamentos.

 

Infarmed retira do mercado cremes para crianças da Wells, Barral e Dermosense

Segundo o relatório a que a Lusa teve hoje acesso, o creme Barral BabyProtect Creme de Rosto usava conservantes não autorizados e em laboratório foi identificado um ingrediente (Phenoxyethanol) não identificados no rótulo, pelo que foi ordenada a suspensão imediata da comercialização e a retirada de todas as unidades existentes no mercado.

O produto Wells Creme Rosto Bebé continha os conservantes Phenoxyethanol e Benzoic acid, que não estavam declarados na lista de ingredientes da rotulagem, além de se ter constatado que “os ingredientes listados não correspondem à verdadeira composição do produto”. O produto continha ainda uma alegação falsa: «0% Fenoxietanol».

“Atendendo a que a pessoa responsável não demonstrou que este cosmético é seguro para a saúde humana, o Infarmed ordena a suspensão imediata da comercialização e a retirada de todas as unidades existentes no mercado”, escreve o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) na circular que determinou a retirada do mercado.

O Infarmed informa ainda que em dois outros produtos – Dermosense creme gordo 100 ml e Dermosense creme de mãos 50 ml – a distribuidora estava a proceder à retirada voluntária do lote em que foram detetadas irregularidades na rotulagem e a Autoridade do Medicamento ordenou “a suspensão imediata da comercialização e a retirada do mercado nacional de todas as embalagens do referido lote”.

A ação de supervisão do Infarmed incidiu sobre 87 produtos de diversas marcas, desde cremes para fralda a loções hidratantes, passando por leites emolientes, cremes protetores e águas de limpeza. No total, foram analisados mais de 1.300 parâmetros (químicos e microbiológicos).

“A maioria dos Produtos Cosméticos analisados (87%) estavam em conformidade com a legislação em vigor à data de análise, relativamente ao tipo e teor de conservantes presentes na sua composição. No entanto, constatou-se que sete dos produtos cosméticos analisados (13%) apresentaram algum tipo de irregularidade”, refere a conclusão do relatório, a que a Lusa teve acesso.

O Infarmed desaconselha o uso em crianças de produtos cosméticos destinados a adultos, de modo a evitar a ocorrência de reações adversas como alergias, dermatites de contacto, reações inflamatórias, entre outras.

Em caso de reações deste tipo, aconselha o consumidor a procurar um médico dermatologista ou um pediatra, suspendendo de imediato a utilização do produto.

“Um produto cosmético nunca deve ser utilizado para outro fim que não o indicado na rotulagem”, sublinha o regulador.

As Pessoas Responsáveis dos produtos cosméticos analisados são provenientes de sete países distintos, sendo a grande maioria oriunda da Europa (97,7%), com especial destaque para França (42,5%), Portugal (21,8%), Espanha (14,9%) e Alemanha (11,5%). Apenas 2,3% dos produtos são originários de países terceiros, nomeadamente do Brasil.

Quanto às formas de apresentação, os produtos cosméticos hidratantes para crianças analisados compreendem sete formas de apresentação distintas, sendo os cremes os mais representativos (56,3%). Os leites e loções, no seu conjunto, correspondem a 34,5% dos produtos.

As restantes formas de apresentação compreendem emulsões, bálsamos, pomadas e óleos.

Entre as marcas analisadas estavam a Mustela, Johnson´s, Corine de Farme, Barral, A-Derma, Uriage, Baby Smile, Avéne, Chicco, Halibut, Aveno, ISDIN, Klorane, La Roche-Posay, Oleoban, Garnier, Aloé Via, Bioderma, Garnier, O Boticário, Auchan, Pingo Doce, Wells, entre outras.

O Infarmed analisou ainda 98 produtos cosméticos de banho para criança (champô, gel de banho e sabonete líquido), representando 39 marcas disponíveis em diversos pontos da cadeia de distribuição, tais como farmácias, supermercados e hipermercados.

Do ponto de vista químico, concluiu que todos estavam de acordo com a legislação em vigor relativamente ao tipo e teor de conservantes presentes. No entanto, para três dos produtos cosméticos analisados, os resultados obtidos “não são consistentes com a rotulagem”, uma vez que figuram conservantes na listagem de ingredientes que não foram detetados em laboratório, pelo que os produtos foram considerados “não conforme”.

Dois outros produtos cosméticos analisados “apresentaram um resultado de teor nalguns conservantes em conformidade, porém, próximo do limite legal”.

Para estes cinco produtos “foi desencadeada a recolha de novos lotes e reanálise para averiguação da conformidade no parâmetro em questão”, refere o relatório.

O Infarmed garante que “continuará a desenvolver campanhas de monitorização e supervisão do mercado português, de forma a garantir a segurança e qualidade dos produtos cosméticos comercializados, dando o seu contributo para que os consumidores portugueses tenham ao seu dispor produtos cosméticos seguros para todas as faixas etárias”.

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