A propósito das Visitas Pascais alternativas: “Palhaços de Deus”

Houve quem, por meios alternativos, fizesse a Visita Pascal, embora proibida, perante o estado de emergência nacional que nos pede o maior recato social. Assim não entenderam alguns, enquanto outros repudiam este tipo de comportamento.

É o caso de um padre, António Magalhães Sousa, de Dornelas, Amares.

Num artigo de opinião publicado na página do facebook “Sopro e Vida”, António Magalhães Sousa é contundente na sua posição.

“Palhaços de Deus”

Numa época em que é pedido recato e recolhimento (bom senso!) há sempre uns sujeitos (também chamados de “padres”) a servir-se de símbolos religiosos e queridos ao Povo para dar largas à sua vaidade, baixeza, parvalhice e assim abandalhar e profanar o Sagrado. Atentar contra a vida! Dar mau exemplo. Benignamente, poderia chamar “palhaços”.

Apesar de tradição em muitas terras, é imprescindível (vital) a Cruz andar a percorrer ruas e calçadas de aldeias e cidades? Não. É fundamental para a salvação? Não. Alegra o coração do Ressuscitado? Não. Contribui para aumentar a fé do Povo? Não. Quem pode ganhar com isto? O idiota que, às voltas na cama, pariu estas ideias iluminadas, únicas, redentoras da humanidade.

O povo gosta? Sim, a maioria das pessoas – sobretudo não educada e esclarecida na fé – gosta de circo, de palhaços, de música pimba, de desgarradas, de anedotas picantes, até de umas pingas a mais. Aliás, com “papas e bolos se enganam os tolos”. É uma alegria! Até a televisão anuncia! Não é aconselhado pelas autoridades civis e religiosas mas o nosso “paroco” (sim, sem acento) deu a volta e arranjou maneira de os fintar. É espetacular!

Quando dizem que a Igreja vai acabar pelos padres, até acredito. Sobretudo se aqueles que deviam ser guias e condutores esclarecidos do povo, em vez de assumirem a sua missão na descrição e orientação esclarecida, preferem barregar ao lado das ovelhas e andar aos pinotes, por entre entrevistas e post’s a alardear: “eu sou um herói”; “todos falam de mim”; “tenho o povo a meus pés (debaixo de…)”; “o palco é todo meu”; “Cristo ressuscitou, porque eu o salvei”; and so on… O Diabo provocou Jesus com algo semelhante…

Meninos mimados, falaciosos, demagogos, adoradores do santo umbigo alérgicos ao Evangelho: “quem se humilha será exaltado, quem se exalta será humilhado”. Arrogantes sem darem conta que ser falado não significa ser inteligente: Pilatos até no Credo é citado; Judas anda na boca do povo; e a multidão, quando vive embriagada ou manipulada por oportunistas até prefere Barrabás em vez de Jesus. Mas isto só faz sentido para quem conhece, acredita e vive a partir do Evangelho…

(P. António Magalhães Sousa)

Mensagem do Arcipreste de Famalicão: Tudo mudou, menos a Páscoa

Este ano a Páscoa não é como a temos vindo a viver e a celebrar desde há muito tempo.

Por isso, estamos todos a reinventar a Páscoa. Não a Páscoa em si, mas o modo de a viver e de a celebrar. Os rituais alteraram-se substancialmente mas a sua essência permanece. Apesar de termos que fazer tudo de forma condicionada e contida, estamos a constatar que este mal da pandemia do coronavírus Covid – 19 espevitou a nossa criatividade e está a dar-nos a oportunidade de sairmos da rotina, de alguns hábitos e costumes que já não produzem os seus efeitos. Os sinais de que a Páscoa está a ser vivida e celebrada estão nas nossas Igrejas Domésticas, as famílias, onde pais e filhos se reúnem para celebrar os mistérios da fé. Não têm faltado subsídios para a família celebrar em casa a sua fé. Não faltam também os sinais visíveis das cruzes ornamentadas nos jardins ou nas portas das casas. Não faltarão também as velas à janela ou nos varandins das casas para assinalar que a família está em vigília pascal, unida a toda a Igreja universal a celebrar a Páscoa.

A Páscoa tem sempre esta capacidade transformadora do mundo do pranto, da tristeza, do medo e da morte em mundo de novos horizontes, das lágrimas enxugadas, da esperança experimentada e de vida nova. A Páscoa será sempre este convite a sintonizar a nossa respiração com aquele sopro imenso e intenso que incessantemente une o visível ao invisível, a terra e o céu, o instante e o eterno, a nossa pobreza e a riqueza de Deus. A Páscoa é a semente aberta, a desabrochar, a rebentar de força e de vida, a crescer e a transformar-se em planta, em árvore, em acontecimento novo. A Páscoa revela sempre o supremo excesso do Amor que Deus tem por nós. O filósofo Gabriel Marcel diz: “Amar é dizer: tu não morrerás!”. A Páscoa é este grande sopro inesperado, excessivo, e mesmo louco do Amor de Deus, revelado em Jesus Cristo. O que a Páscoa nos dá não é a morte mas a vida intensa, amada e desejada por Deus. Por isso, a Páscoa apresenta-se-nos como o coração do tempo. Dela tudo nasce, tudo depende e tudo ganha alento e sentido.

Com o nosso coração, assim, animado e fortalecido pela ressurreição de Cristo, não vemos neste acontecimento pandémico apenas dificuldades e problemas, perturbação e medo. Vemos também oportunidades.

Aqui está a nossa oportunidade para a mudança. Tudo mudou! Tudo está a mudar! E eu como estou a encarar esta oportunidade de mudança!? O mundo, isto é, a família, os idosos, os agentes de saúde, os mais pobres e frágeis, os presos, os indigentes, os injustiçados, só serão diferentes quando eu perceber a importância e o valor que cada um destes tem na minha vida. Vou cuidar deles!? Com o Covid-19 ou em qualquer outra situação, não deixemos de nos empenhar, ainda mais e seriamente, na superação destes flagelos, cada um de nós cumprindo o seu papel com responsabilidade. Estes gestos e atos são já ações pascais, transformadoras.

Com o Papa Francisco, bem sabemos que “estamos todos no mesmo barco” e “ninguém se salva sozinho”, e que no meio desta “tempestade que desmascara a nossa vulnerabilidade” precisamos de “despertar e ativar a solidariedade e a esperança” e “renovar a nossa fé pascal”.

A Páscoa é o Coração do Tempo! Vamos então centrar-nos no que é essencial. O Papa Francisco, numa inédita oração pela humanidade, deu o tom: “É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. (…) O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. (…) O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor”.

Em Cristo ressuscitado, o nosso rosto expresse verdadeira alegria e confiança. Tenhamos todos o rosto de gente salva.

Agora é a vida do Ressuscitado a marcar o tempo. Vivamos n’Ele, com Ele e como Ele.

A todos e a cada um de vós, a todas as comunidades e a todas as famílias, desejo uma Páscoa santa e fecunda.

P.e Francisco Carreira,Arcipreste de Vila Nova de Famalicão

Padre Domingos Machado desafia paroquianos a viverem a Páscoa

Os cristãos estão impossibilitados de celebrar a Páscoa como estavam habituados, mas os sacerdotes estão a colocar novos desafios para que a data não passe sem ser assinalada.

Um desses sacerdotes é o padre Domingos Machado, que tem a seu cargo espiritual as freguesias de Requião, Gavião, e Cruz. Nas redes sociais, desafiou os paroquianos a colocarem uma cruz em suas casas, em local visível, que tanto pode ser o portão como a varanda. No Domingo de Páscoa essa cruz deve ser enfeitada com flores; se não tiver acesso a flores pode colocar tecido. Durante a Semana Santa pano roxo, no dia de Páscoa um pano branco.

Porque não há reuniões de família e amigos, quem quiser pode partilhar fotografias das cruzes através das redes sociais.

Padre da Trofa doa 80 mil euros das obras nas paróquias ao hospital de São João

Um padre de uma freguesia da Trofa doou 80 mil euros, destinados a obras em duas paróquias, para a aquisição de material para o hospital de São João, devido à pandemia da covid-19.

Rui Alves, de 36 anos, explicou à agência Lusa que os cerca de 80.000 euros foram angariados em São Mamede e em São Romão, na vila do Coronado, para obras nas paróquias, mas decidiu doar o dinheiro ao Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto.

Após conversa com o presidente do conselho de administração do CHUSJ, para perceber que material faz mais falta, foram já encomendadas 36 bombas de perfusão (instrumentos médicos eletrónicos para a administração intermitente ou contínua de fluidos, como medicação) e cinco estações (monitores), material que deve chegar “dentro de duas a três semanas”.

Os 80 mil euros foram angariados com cortejos, donativos individuais e cantar de janeiras, entre outras iniciativas. «Esta ideia [doação] surge pela urgência social que todos vivemos. As obras poderão ser realizadas mais à frente. Agora é o momento de salvarmos vidas humanas e essas não têm preço. Este dinheiro não é meu, é do meu povo que se confia a mim, e espero ser sempre digno dessa mesma confiança», afirmou Rui Alves.

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) congratulou-se com o gesto e agradeceu a ajuda.

Mensagem de Natal do Arcipreste de VN Famalicão: “Um escândalo!”

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, a Europa era uma autêntica ferida aberta: nas trincheiras, aliados e alemães matavam-se aos milhares. No entanto, houve uma noite em que algo de extraordinário aconteceu: de um lado e do outro começaram por trocar palavras; depois, ofereceram-se cigarros e chocolate; e, em pouco tempo, o campo de batalha transformara-se – imagine-se – em campo de futebol. Mas o melhor desta história verídica foi a lição que nos deixou: ela demonstrou que há uma noite no ano que tem o poder de parar todas as guerras. Essa noite aconteceu no dia de Natal.

É inegável: nesta época, somos habitados por um desassossego que nenhuma outra quadra consegue dar-nos. Tudo corre para que nada falte ao dia de Natal. Desde muito cedo se fazem os preparativos para as festas. E, desde logo, tudo começa ganhar uma luz e um sabor que só se podem encontrar neste tempo. Nem o frio nem a chuva nos afastam ou demovem. Na verdade, há um singular acontecimento que nos move: o Natal, ou seja, o mistério do nascimento de Jesus. Esse acontecimento esperado – que se irá revelar tão inesperado – continua hoje a causar-nos o desassombro e desassossego. Afinal, o Natal não é um raio que nos cai sobre nós carregado de poder e estrondo, mas um Menino que nos vem parar ao colo.

O Natal é um autêntico escândalo: Deus nasce na humildade das faixas e não na grandeza, na manjedoura e não nas nuvens do céu, entre os braços de uma mãe e não sobre o trono da majestade. Ele vem a nosso favor e não contra nós, para salvar e não para julgar. É um Deus que se põe ao nível do último dos homens para poder acolher a todos.

Portanto, celebrar o Natal sem celebrar este mistério é estar à margem do que verdadeiramente nos faz viver de forma apaixonada. Para nós cristãos, a encarnação de Deus, em cada Natal, não é a repetição teatral de um relato bíblico. Pelo contrário, é a celebração da surpresa de um Amor que vem ao nosso encontro e nos dá a oportunidade para morar n’Ele. Não é só uma experiência bonita e bela de solidariedade. É o decisivo acontecimento de que Deus tem um projeto de vida para a humanidade.

O Natal não é uma caixa de ornamentos ou luzes para colocar a piscar em casa ou nas ruas. O Natal não é almoços ou jantares de colaboradores ou amigos. O Natal não é comércio de presentes para dar aos familiares e amigos. O Natal não é bacalhau, couves, batatas… nem é filhoses, rabanadas, aletria, mexidos…

Ora, se é real que o Natal não é nada disto, a verdade é que tudo isso existe porque há Natal. Ou seja, porque um Deus se fez menino, pequenino, nascido em Belém, entre os animais e os pastores… É o mistério da encarnação do Filho de Deus que potencia em nós a experiência recriadora da esperança sem enganos nem ilusões que Ele nos oferece.

Se o Natal deixar de ser o nascimento de Jesus, o que restará do Natal!? Ficará o vazio. Se o Natal se converter numa magia, então rir-se-á sem que saiba por quê; festejar-se-á sem que se saiba o quê, e seguir-se-á em frente sem que se saiba para onde.

Não havia lugar para eles na hospedaria – narra a leitura sobre a noite em que Maria estava para ser mãe. Que aflição: prestes a dar à luz e sem lugar onde pernoitar. De forma acutilante, depressa o relato do evangelho salta por cima das dificuldades e refere que o Menino nasceu, foi envolto em panos e deitado numa manjedoura. Portanto, alerta-nos que não está ao nosso alcance impedir que o Natal aconteça. Todavia, está nas minhas mãos que o Natal possa acontecer em minha casa, no meu coração.

Assim sendo, ainda que sejam retirados os sinais da fé das decorações públicas de Natal, ainda que não queiram figurar o nascimento de Jesus, mesmo assim, não vão conseguir retirar-nos a Sua presença.

Deixo a interpelação e o exercício de nos colocarmos diante do Presépio. O papa Francisco, na sua nova carta apostólica, sobre o significado e o valor do Presépio, chama-lhe o Admirável Sinal, que não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Não nos lamentemos com falta de tempo, mas paremos um pouco. Detenhamo-nos diante deste sinal admirável: ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.

Acompanhemos as crianças e os jovens nesta contemplação. Se Jesus está no centro da celebração do Natal, então nunca nos faltará a Esperança.

Santo e fecundo Natal e próspero ano novo de 2020.

P.e Francisco,
Arcipreste de Vila Nova de Famalicão

Padre de Caminha é chamado de “padre gatão” por muitas mulheres

Ricardo Esteves, de 35 anos, pároco em Caminha é dos padres mais falados da internet. O estilo de vida e os atributos físicos não passaram ao lado da reportagem do Jornal de Notícias.

O “padre gatão”, como muitas já lhe chamam, tenta ir ao ginásio uma vez por dia, gosta de andar de mota e não falha as suas obrigações para com a igreja.

 

Reportagem Fotográfica: Jornal de Notícias / Global Imagens

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