Novo agravamento: Vento forte deixa região em alerta vermelho

A depressão Fabien está a poucas horas de entrar no território português. As previsões obrigaram o Instituto Português do Mar e da Atmosfera a lançar um novo alerta, devido ao vento forte e à agitação marítima.

O alerta vermelho entre em vigor a partir das 18h deste sábado e até às 21h. É valido para os distritos de Braga, Viana do Castelo e Vila Real.

De acordo com o IPMA, nestas regiões, o vento pode chegar aos 140km/h.

Mau tempo: Ligação ferroviária entre Lisboa e Porto cortada

De acordo com a fonte, neste momento não existem condições para se realizar as viagens de longo curso na Linha do Norte, pelo que a circulação de comboios (do serviço Intercidades e Alfa Pendular) foi suspensa “até haver condições” para retomar a circulação.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Infraestruturas de Portugal (IP) explicou que em causa está o troço entre Alfarelos e Ameal Sul, onde a linha ferroviária se “mantém submersa” desde o final de tarde de sexta-feira, devido à subida do nível das águas da Bacia do Mondego.

De acordo com um balanço da IP divulgado hoje, devido às condições climatéricas adversas que se têm feito sentir, principalmente na região norte e centro do país, têm ocorrido diversos incidentes a afetar a circulação ferroviária.

A sua grande maioria foram já “resolvidos”, no entanto subsistem ainda alguns condicionamentos, refere.

Além da linha do Norte, a linha da Beira Alta está também cortada, depois de ao início da noite de sexta-feira um comboio Intercidades ter embatido numa pedra que provocou o descarrilamento da locomotiva ao quilómetro 148, entre Fornos de Algodres e Gouveia.

Neste momento, indica, “decorrem os trabalhos de carrilamento que estão a ser dificultados devido à instabilidade do terreno”.

“Após o carrilamento e remoção da locomotiva do local, será necessário proceder-se a trabalhos de reparação da via. Esta intervenção deverá estender-se ao longo da manhã de hoje”, estima a IP.

Na linha do Vouga, a circulação está também suspensa entre Sernada do Vouga e Aveiro-Vouga, devido a desguarnecimento da via entre Macinhata e Sernada e a circulação no troço entre Eixo e Eirol devido a inundação de via.

A CP informou na sexta-feira que irá conceder reembolsos aos clientes que tenham comprado bilhetes e pretendam desistir da viagem, devido às perturbações previstas por causa do mau tempo.

A operadora aconselha os utentes a apresentar os pedidos nas bilheteiras ou na página da Internet da CP, na qual a operadora está ainda disponível para “qualquer esclarecimento ou sugestão”.

Os utentes podem ainda ligar para a linha de atendimento (707 210 220).

Fonte oficial da GNR disse à Lusa que a situação nas vias rodoviárias estava, hoje de manhã, calma, sem estradas principais cortadas por causa do mau tempo.

“Não temos ocorrências significativas. Há aquelas pequenas inundações em algumas estradas mais secundárias, fruto de linhas de água que enchem, mas que depois acabam por aliviar, com a redução da chuva, mas os grandes troços rodoviários estão transitáveis e não há estradas cortadas neste momento”, disse a mesma fonte, por volta das 08:45.

A passagem da depressão Elsa provocou em Portugal dois mortos, um desaparecido e deixou perto de 80 pessoas desalojadas, registando-se entre quarta-feira e sexta-feira cerca de 8.500 ocorrências no continente português, na sua maioria inundações e quedas de árvore, envolvendo cerca de 25 mil operacionais.

O mau tempo provocou também condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, bem como danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

No balanço das 20:00 de sexta-feira, a Proteção Civil indicou que, apesar do “ligeiro desagravamento das condições meteorológicas” durante o dia, a situação no rio Douro, na Régua, Porto e Gaia, ”é preocupante”.

O IPMA alertou para os efeitos de uma nova depressão, denominada Fabien, que atingirá Portugal no sábado, em especial o Norte e o Centro, estando previstos intensos períodos de chuva e vento forte de sudoeste, com rajadas que podem atingir 90 km/hora no litoral norte e centro e 120 km/hora nas terras altas.

Os efeitos da depressão Fabien não deverão ter em Portugal continental a mesma intensidade do que os da tempestade Elsa, prevendo-se uma melhoria gradual do estado do tempo a partir de domingo. Os distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar entre as 21:00 de sábado e as 12:00 de domingo em aviso vermelho, devido à agitação marítima.

Mau tempo provoca estragos avultados no Estádio do Passal

A chuva intensa e vento forte também provocaram danos consideráveis no Estádio do Passal, em Ribeirão. O muro separador não resistiu à força do temporal que, também, provocou estragos na bancada do recinto desportivo ocupado pelo Ribeirão FC.

Os dirigentes do clube estão a analisar os estragos e se os mesmos podem colocar em causa a realização de jogos, sendo que a equipa principal só volta a jogar em casa no dia 12 de janeiro, a contar para a 20.ª jornada do Pró Nacional da AF Braga.

Santo Tirso: Casal com três filhos e uma idosa desalojado devido ao mau tempo

Seis pessoas ficaram desalojadas, em Santa Cristina do Couto, Santo Tirso, na madrugada desta quinta-feira, na sequência do mau tempo que se tem vindo a fazer sentir na região norte, fruto da depressão “Elsa”.

De acordo com a RTP, a casa onde habitava a família foi atingida por uma árvore derrubada pela força do vento, cerca das 03h00.

Um representante da Câmara Municipal de Santo Tirso, em declarações à Antena 1, diz que o casal com três filhos e uma idosa encontra-se numa unidade hoteleira daquela localidade, havendo a possibilidade de regressarem a casa ainda no decorrer desta quinta-feira, depois de serem avaliados os estragos provocados pela árvore.

Famalicão: Bombeiros sem mãos a medir para quedas de árvores e postes de iluminação pública

A madrugada desta quinta-feira foi de muito trabalho para as corporações de bombeiros de Vila Nova de Famalicão.

Os soldados da paz foram chamados para dezenas de ocorrências, grande parte delas relacionadas com a queda de árvores e de postes de iluminação pública.

Queda de árvore no centro da cidade de Vila Nova de Famalicão, no Parque da Juventude

Nesta manhã, e devido ao número crescente de solicitações, algumas das ocorrências aguardavam resolução.

Até ao momento não há registo de feridos.

Mau tempo provocado pela depressão Elsa: “Quinta-feira é o dia mais gravoso”

“A depressão Elsa [que está a atingir os Açores esta semana] está muito a norte do território do continente. O que vai afetar mais diretamente o estado do tempo é a passagem de umas ondulações frontais associadas a uma depressão complexa da qual faz parte a Elsa”, começou por explicar o meteorologista Ricardo Tavares, do IPMA.

Em declarações à Lusa, Ricardo Tavares adiantou que o vento será “moderado a forte e muito forte nas terras altas, com ventos de 95 a 100 quilómetros/hora”.

“O dia mais gravoso em termos de vento e precipitação será o de quinta-feira”, explicou o meteorologista, adiantando que a situação irá manter-se nos próximos três a quatro dias, com “vento muito intenso, precipitação forte e persistente”.

“Prevê-se ainda agitação [marítima] forte também na costa ocidental e amanhã também a costa sul do Algarve será afetada com ondas de sudoeste de quatro a cinco metros”, acrescentou.

De acordo com Ricardo Tavares, foram emitidos avisos amarelos (o terceiro mais grave) para todo o território do continente, tendo em conta a precipitação e a agitação marítima esperadas

Para as regiões Norte e Centro estão emitidos avisos laranja (o segundo mais grave), que serão atualizados consoante o estado do tempo o exija.

“A partir de sábado prevê-se já uma pequena melhoria, não se prevendo a permanência de ventos e precipitação tão forte”, frisou.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil emitiu hoje um aviso à população por causa do agravamento das condições meteorológicas, com precipitação forte e persistente, vento forte nas terras altas e agitação marítima forte em toda a costa.

No aviso à população, a Proteção Civil alerta para a possibilidade de “inundações rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem”, e “inundações por transbordo das linhas de água nas zonas historicamente mais vulneráveis”.

Avisa ainda que, tendo em conta as previsões do IPMA, há a possibilidade de inundações de “estruturas urbanas subterrâneas com deficiências de drenagem” e de formação de lençóis de água na estrada, além da queda de ramos de árvores, danos em estruturas montadas ou suspensas.

O agravamento das condições meteorológicas pode ainda levar a “possíveis acidentes na orla costeira” e a “fenómenos geomorfológicos causados por instabilização de vertentes associados à saturação dos solos, pela perda da sua consistência”.

 

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