Setor têxtil e do vestuário apresenta melhorias mas ainda vive dias de instabilidade

O setor têxtil e do vestuário continua a viver dias de complexidade e instabilidade por causa da covid-19. Segundo dados da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, as exportações de têxteis e vestuário caíram no mês de julho 8%, em termos homólogos, mas verificou-se uma melhoria face aos meses anteriores, uma vez que em abril caiu 42%, em maio 29% e junho 13%, sempre face aos mesmos meses do ano anterior.

Em contraciclo estão os têxteis-lar que registaram uma subida de 10%. Nesta categoria de produtos encontram-se as máscaras têxteis, que faturaram cerca de 11 milhões de euros.

As exportações de vestuário confecionado em feltros ou falsos tecidos, assim como vestuário confecionado com tecidos com borracha ou impregnados, revestidos ou recobertos com plástico ou outras matérias (de que faz parte o vestuário de proteção em termos médicos) cresceram cerca de 5 milhões de euros neste mês.

A balança comercial dos têxteis e vestuário apresenta um balanço positivo de 567 milhões de euros.

Maioria das empresas têxteis sofre forte redução de encomendas

A quebra nas encomendas tem sido o principal problema no setor têxtil e vestuário, depois que a pandemia provocada pelo covid-19 se verificou em Portugal. Esta é uma das conclusões do inquérito feito pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal às empresas do setor.

Ainda no que diz respeito a dificuldades, há problemas em encontrar matéria-prima; a produção de equipamento de proteção individual é alternativa apenas para ¼ das empresas; e há muitas críticas apontadas às medidas que o Governo implementou para o setor.

Para fazer face aos problemas encontrados desde início de março, muitas empresas optaram por recorrer ao lay-off.

O presidente da ATP, Mário Machado, escreve que paira uma grande incerteza quer em Portugal quer na Europa relativamente à retoma económica e não existem medidas adequadas para a favorecer.

Covid-19 provoca queda nas exportações têxteis e vestuário

De acordo com os dados divulgados esta quinta-feira, pelo INE, as exportações de têxteis e vestuário nos dois primeiros meses deste ano registaram uma queda de cerca de 1%, tendo atingido um valor de 881 milhões de euros.

Em comunicado, a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, com sede em Famalicão, refere que os produtos mais afetados foram o vestuário de malha com uma quebra de 5,5 milhões de euros (-1,5%), as fibras sintéticas ou artificiais descontínuas com uma quebra de 3,7 milhões de euros (-8,1%) e o vestuário em tecido, com menos 3,2 milhões de euros exportados (-1,9%).

No entanto, as exportações de têxteis-lar e outros artigos têxteis confecionados estiveram em contraciclo, registando um aumento de 2,7%.

Considerando apenas o mês de fevereiro, foi registada uma queda de 4,3% nas exportações, refletindo já o impacto do COVID 19. Janeiro tinha registado um crescimento homólogo de 2,5%.

Em termos de destinos, destaque para França, com um acréscimo de 3 milhões de euros (+2,5%), para a Suíça, com um aumento de 2,3 milhões de euros (+22,1%) e para a Bélgica, para onde exportámos mais 2,2 milhões de euros (+12,7%).

Espanha continua a ser o destino que regista maior queda: menos 9,2 milhões de euros (-3,6%) face ao período homólogo do ano transato.

As importações de matérias-primas têxteis caíram 7,1%, as de vestuário diminuíram 2,6% e as de têxteis-lar e outros artigos têxteis confecionados também caíram 3,6%. No total, as importações de têxteis e vestuário, em janeiro-fevereiro de 2020, ascenderam a 729 milhões de euros, menos 4,5% do que no período homólogo de 2019.

Neste período o saldo da balança comercial do setor foi de 152 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 121%.

Coronavírus: ATP quer medidas urgentes do Governo e da Banca

Em comunicado, a direção da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) diz que é necessário e urgente a regulamentação do processo de aplicação do lay-off simplificado; um mecanismo reivindicado junto do governo, há 15 dias, para fazer face à diminuição do volume de negócios das empresas têxteis nesta atual situação de crise pelo coronavírus.

A ATP, que tem sede em VN Famalicão, diz que só a lay-off vai permitir a sobrevivência das empresas e diz que tem que ser com regras diferentes das atualmente previstas, como por exemplo: o período de demonstração de quebra de rendimentos da empresa tem de ser o mais curto possível; a demonstração da quebra tem que poder ser feita através da evidenciação simples de que não há encomendas futuradas.

Além disso, defende que têm que ser tomadas outras medidas, nomeadamente a moratória dos pagamentos devidos e sem registo de incumprimento, bem como a diluição ao longo de quatro ou cinco anos do correspondente pagamento, para evitar o estrangulamento de tesouraria no momento da retoma da atividade. No capítulo da tesouraria, diz que é necessário garantir que as linhas de crédito criadas sejam, de facto, utilizadas, com especial atenção às taxas e comissões praticadas.

«O financiamento previsto terá, de facto, de chegar às empresas que realmente precisam», apela a ATP, acrescentando que a burocracia pode deitar tudo a perder.

Em comunicado, a ATP revela que lançou um inquérito às empresas do setor e que o mesmo revelou que 59% dos inquiridos esperam ter, já no mês de abril, uma redução superior a 50% no seu volume de negócios, enquanto 26% das empresas sondadas preveem uma redução entre 30% a 50%.

A ATP recorda que este é um tempo de enorme incerteza no seio da economia europeia. Com 82% das exportações de têxteis e vestuário em Portugal destinadas ao mercado europeu e os restantes 18% exportados para o mercado extraeuropeu, lembra que a indústria têxtil e vestuário e os 7.7 mil milhões euros por ano por ela gerados encontram-se agora fortemente ameaçados.

Empresas do têxtil e vestuário ajudam na luta contra o Covid-19

Foi avassaladora a resposta das empresas do setor ao apelo da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) para contribuírem para o fornecimento de equipamento têxtil hospitalar, tendo recebido centenas de ofertas de ajuda.

Esta quinta-feira, a ATP anunciou em comunicado que estava a trabalhar com o CITEVE (Centro Tecnológico sediado em Vila Nova de Famalicão) para dar resposta à solicitação da Direção-Geral da Saúde em termos de fornecimento de equipamento têxtil hospitalar. A associação pedia que as empresas, com experiência e disponibilidade colaborassem no fornecimento deste tipo de materiais. No mesmo comunicado a ATP refere que tem tido contactos de confeções disponíveis para o efeito e solicita informação sobre fabricantes de matérias-primas e acessórias.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ATP, Mário Jorge Machado, disse que mesmo as que não têm experiência nem competências nesta área responderam de imediato informando que estão disponíveis para fazer as adequações que são necessárias, incluindo formação para tal. «Somos um povo solidário», assinalou.

Os produtos tem uma tecnicidade e requisitos específicos que é preciso assegurar estando, por isso, a questão a ser coordenada com a Direção-Geral da Saúde e com o centro tecnológico. Mário Jorge Machado frisou a importância de cumprir as normas na produção destes materiais a serem usados pelos profissionais de saúde no combate à Covid-19 pelo que a questão está a ser tratada com toda a necessidade técnica que exige.

Os profissionais de saúde portugueses, à semelhança de outros países, têm alertado para a falta de equipamento de proteção, nomeadamente máscaras e fatos de circulação, tratam-se de fatos habitualmente usados nos blocos operatórios, mas que agora, devem ser usados por todos os médicos para que troquem as suas roupas por estes fatos assim que cheguem ao hospital.

Mais tecnologia na indústria têxtil muda perfil dos trabalhadores

Até 2025, cerca de 40 mil trabalhadores da área têxtil vão passar à reforma por razões de idade, já que atualmente o setor tem dois terços de colaboradores com mais de 45 anos de idade.

Os dados são avançados pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, que esta quarta-feira realizou o XXI Fórum da Indústria Têxtil, que teve lugar em Famalicão, com a presença do Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira.

A ATP diz que a indústria têxtil perde trabalhadores mas também vai precisar, nos próximos anos, de 15 a 20 mil novos ativos. O estudo da ATP indica que serão postos de trabalho mais qualificados, pelas exigências do próprio setor.

É que a indústria têxtil está mais tecnológica, mais internacional, com mais design e serviços de alto valor acrescentado.

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