CIDADE HOJE leva até si Domingo de Ramos, Semana Santa e Páscoa

Neste tempo de recolhimento social, obrigados pela pandemia Covid-19, Cidade Hoje leva até si as celebrações religiosas da Semana Santa.

Estando todos privados de, presencialmente, vivermos este tempo, Cidade Hoje não podia deixar de levar até si estas celebrações tão queridas e vividas intensamente por todos.

Através da rádio e facebook, vamos transmitir a missa de Domingo de Ramos, este domingo, às 10h30, na Matriz Antiga; Quinta-feira Santa, Celebração da Instituição da Eucaristia, dia 9, às 18h, na Matriz Antiga; Sexta-feira Santa, Oração de Laudes, dia 10, às 10h30 e Celebração da paixão de Cristo, às 15h, na Matriz Antiga; sábado Santo, Vigília Pascal, dia 11, às 21h, Matriz Antiga; e Domingo de Páscoa, Missa Pascal, dia 12, às 10h30, na Matriz Antiga.

Todas estas cerimónias, promovidas pelo Arciprestado de Famalicão e Confraria das Santas Chagas, decorrem “à porta fechada”, mas não deixe de viver e sentir este tempo Pascal, em exclusivo, via rádio Cidade Hoje (94 Fm) e facebook.

 

Mensagem de Natal do Arcipreste de VN Famalicão: “Um escândalo!”

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, a Europa era uma autêntica ferida aberta: nas trincheiras, aliados e alemães matavam-se aos milhares. No entanto, houve uma noite em que algo de extraordinário aconteceu: de um lado e do outro começaram por trocar palavras; depois, ofereceram-se cigarros e chocolate; e, em pouco tempo, o campo de batalha transformara-se – imagine-se – em campo de futebol. Mas o melhor desta história verídica foi a lição que nos deixou: ela demonstrou que há uma noite no ano que tem o poder de parar todas as guerras. Essa noite aconteceu no dia de Natal.

É inegável: nesta época, somos habitados por um desassossego que nenhuma outra quadra consegue dar-nos. Tudo corre para que nada falte ao dia de Natal. Desde muito cedo se fazem os preparativos para as festas. E, desde logo, tudo começa ganhar uma luz e um sabor que só se podem encontrar neste tempo. Nem o frio nem a chuva nos afastam ou demovem. Na verdade, há um singular acontecimento que nos move: o Natal, ou seja, o mistério do nascimento de Jesus. Esse acontecimento esperado – que se irá revelar tão inesperado – continua hoje a causar-nos o desassombro e desassossego. Afinal, o Natal não é um raio que nos cai sobre nós carregado de poder e estrondo, mas um Menino que nos vem parar ao colo.

O Natal é um autêntico escândalo: Deus nasce na humildade das faixas e não na grandeza, na manjedoura e não nas nuvens do céu, entre os braços de uma mãe e não sobre o trono da majestade. Ele vem a nosso favor e não contra nós, para salvar e não para julgar. É um Deus que se põe ao nível do último dos homens para poder acolher a todos.

Portanto, celebrar o Natal sem celebrar este mistério é estar à margem do que verdadeiramente nos faz viver de forma apaixonada. Para nós cristãos, a encarnação de Deus, em cada Natal, não é a repetição teatral de um relato bíblico. Pelo contrário, é a celebração da surpresa de um Amor que vem ao nosso encontro e nos dá a oportunidade para morar n’Ele. Não é só uma experiência bonita e bela de solidariedade. É o decisivo acontecimento de que Deus tem um projeto de vida para a humanidade.

O Natal não é uma caixa de ornamentos ou luzes para colocar a piscar em casa ou nas ruas. O Natal não é almoços ou jantares de colaboradores ou amigos. O Natal não é comércio de presentes para dar aos familiares e amigos. O Natal não é bacalhau, couves, batatas… nem é filhoses, rabanadas, aletria, mexidos…

Ora, se é real que o Natal não é nada disto, a verdade é que tudo isso existe porque há Natal. Ou seja, porque um Deus se fez menino, pequenino, nascido em Belém, entre os animais e os pastores… É o mistério da encarnação do Filho de Deus que potencia em nós a experiência recriadora da esperança sem enganos nem ilusões que Ele nos oferece.

Se o Natal deixar de ser o nascimento de Jesus, o que restará do Natal!? Ficará o vazio. Se o Natal se converter numa magia, então rir-se-á sem que saiba por quê; festejar-se-á sem que se saiba o quê, e seguir-se-á em frente sem que se saiba para onde.

Não havia lugar para eles na hospedaria – narra a leitura sobre a noite em que Maria estava para ser mãe. Que aflição: prestes a dar à luz e sem lugar onde pernoitar. De forma acutilante, depressa o relato do evangelho salta por cima das dificuldades e refere que o Menino nasceu, foi envolto em panos e deitado numa manjedoura. Portanto, alerta-nos que não está ao nosso alcance impedir que o Natal aconteça. Todavia, está nas minhas mãos que o Natal possa acontecer em minha casa, no meu coração.

Assim sendo, ainda que sejam retirados os sinais da fé das decorações públicas de Natal, ainda que não queiram figurar o nascimento de Jesus, mesmo assim, não vão conseguir retirar-nos a Sua presença.

Deixo a interpelação e o exercício de nos colocarmos diante do Presépio. O papa Francisco, na sua nova carta apostólica, sobre o significado e o valor do Presépio, chama-lhe o Admirável Sinal, que não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Não nos lamentemos com falta de tempo, mas paremos um pouco. Detenhamo-nos diante deste sinal admirável: ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.

Acompanhemos as crianças e os jovens nesta contemplação. Se Jesus está no centro da celebração do Natal, então nunca nos faltará a Esperança.

Santo e fecundo Natal e próspero ano novo de 2020.

P.e Francisco,
Arcipreste de Vila Nova de Famalicão

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