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SER ATLETA

Quantos atletas já vivenciaram a experiência de estarem física e tecnicamente muito bem e não conseguiram traduzir este facto em resultados desportivos? Arriscaria em dizer, Todos!

Poderá então o rendimento desportivo estar dissociado da componente mental?

A mente é um conceito que descreve as funções superiores do cérebro humano, face aos estados da consciência ou subconsciência, relacionadas com o espetro cognitivo e comportamental.

Ser atleta é algo tão complexo que só está, certamente, ao alcance dos eleitos. Não é por nadar bem, correr como ninguém ou jogar melhor que estão reunidas as condições para ser atleta.

A componente mental, à medida que a idade avança, assume maior relevância nas condições necessárias para a obtenção dos resultados desportivos. É preciso preparar a mente e ter a atitude correta para ambicionar a ser o melhor possível. Se não houver a capacidade de a educar e direcioná-la no sentido correto, poderemos ser confrontados com barreiras psicológicas que poderão condicionar ou bloquear o próprio rendimento. O atleta tem de se consciencializar desta importância e tem de identificar as possíveis barreiras de forma a alterar o rumo das mesmas.

É fundamental o atleta conhecer-se a si mesmo e identificar quais os pensamentos condicionantes e obstrutivos que tem vindo a vivenciar, já que poderão estar a desvirtuar o rumo certo.

Uma situação negativa poderá desencadear um conjunto de pensamentos desajustados que se transformarão em barreiras psicológicas, com maior significado, quando não são controladas ou muito menos identificadas. Nesta situação, poderá verificar-se o prejuízo adicional das emoções, das sensações, da capacidade de concentração e da eficácia desportiva global, manifestando-se,consequentemente, uma diminuição da eficácia dos resultados.

Em sentido inverso, se o atleta realiza uma adequada deteção e controlo dos pensamentos inadequados, conseguirá, certamente, concentrar-se no que deve fazer e focar-se no processo necessário para satisfazer os seus objetivos. Mais que o resultado é importante o processo. Desta forma evita-se as distrações, controla-se o pensamento e aumenta-se a confiança.

A confiança é condicionada quando os processos cognitivos são desajustados eaparecemassociados a estádios errados do conceito da confiança, como algo dicotómico, isto é ou temos ou não a temos.

A confiança é manifestada de três formas:

a) Excesso de confiança: o atleta crê que tem capacidades únicas e inigualáveis, que lhe dá vantagens de sucesso. Fazem com que não se esforce na sua realização, assumindo-se mais capaz que os demais.

b) Falta de confiança: o atleta acredita ferozmente que não tem capacidade de alcançar o objetivo. Centra o seu foco em aspetos negativos já experimentados. Não aceita enfrentar as oportunidades para evoluir, pois tem muito medo de errar.

c) Falsa confiança: o atleta apresenta um excesso de manifestações de confiança, que não são reais e estão descontextualizadas face ao trabalho realizado. Foca a sua confiança nos sucessos obtidos anteriormente. Assume que tem estatuto, mas esquece-se da sua relatividade.

O que deverá fazer o atleta para superar as barreiras psicológicas que surgem na sua caminhada até se tornar um atleta?

Pois bem, terá de incrementar a sua autoconfiança, pensar no processo de obtenção do rendimento e desviar os pensamentos obstrutivos. Para isso o atleta deverá comprometer-se com:

1)   Controlo de pensamentos: identificar e altera os pensamentos desajustados que o condicionam na execução das tarefas.

2)   Dirigir a atenção para a tarefa: concentrar-se na execução consciente, racional e responsável das tarefas e não unicamente nos resultados (medalhite).

3)   Avaliar as suas destrezas: ter consciência do seu estado de desenvolvimento técnico e quais as debilidades que ainda persistem.

4)   Preparação física: treinar com compromisso, com consciência da realização, saber quais os objetivos parciais da tarefa até chegar ao objetivo principal.É importante que o atleta assuma o estado de forma em cada momento.

5)   Estabelecer objetivos: estabelecer objetivos ambiciosos, mas exequíveis e concretos, já que só assim conseguirá passar para o patamar de evolução seguinte.

6)   Atuar com confiança: adotar um comportamento correto e objetivo face ao contexto, incrementando a sua autoconfiança e tornando-se mais habilitado na execução.

7)   Visualização:imaginar as series de treino e as competições, como que antecipando as situações concretas, evitando possíveis barreiras impeditivas do rendimento.

Todos os atletas têm como objetivo vencer. Vencer não é difícil. Difícil é manter a constância das vitórias, prova após prova, época após época. Isto só é possível se o atleta tiver a capacidade de superação das barreiras psicológicas, evitando-as, ultrapassando-as ou contornando-as. Só quem reúne esta capacidade está habilitado a chegar ao alto nível desportivo. Os demais não chegam, pedem-se pelo caminho, sentam-se confusos e incapazes, sendo levados ao abandono prematuro e inesperado.

Acredito que muitas das vezes, o vencedor é apenas um sonhador que não desistiu. Ninguém nasceu vencedor. É, por tais motivos, que quem vence alguém é o um vencedor, mas quem se supera a si mesmo é invencível.

O êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho. (Abraham Lincoln)

 

Pedro Faia

Professor de Educação Física AE D. Sancho I

Diretor Técnico do GDNatação de Famalicão

Delegado da Federação Portuguesa de Natação

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