Concelho

“Queremos que este local se torne num espaço de criação artística pessoal”

Em Famalicão nasceu um novo pólo cultural. O Fauna, projecto concebido pelo Teatro da Didascália, foi apresentado esta sexta-feira.

Instalada há dez anos na vila de Joane, a companhia vai organizar espetáculos tanto em espaço exterior, como em espaço interior, graças à transformação de um antigo salão para casamentos numa “black box”.

Para o director artístico, Bruno Martins, o espaço é uma oportunidade de diálogo mais íntimo com aquela comunidade do Vale do Ave, até pelo contexto informal da sua criação. “Queremos que este local se torne num espaço de criação artística pessoal, que possa ser apropriado pelo público e não seja simplesmente um espaço de passagem institucional”.

A outra iniciativa de raiz, “Música da Época”, arranca também em Junho e funde a cozinha e a música num só momento cultural, agendado para o primeiro domingo de cada mês. “Os músicos farão a música em função do que está a ser cozinhado, mas também a cozinha vai funcionar segundo os estímulos musicais”, explica o director do Teatro da Didascália, realçando a intenção de promover alimentos produzidos localmente.

O Fauna entra, porém, em atividade já na próxima semana com uma ideia que a companhia estreou no ano passado: os Territórios Dramáticos. De 18 a 25 de Maio, a quinta vai ser “uma espécie de observatório da dramaturgia nacional”, segundo dois eixos: “o Reescrita da História, ligado à memória coletiva e às experiências de vida, e o Teatro Fora do Formato, com propostas difíceis de catalogar”, descreve Bruno Martins.

Criado há uma década, o Teatro da Didascália continua a apresentar as suas encenações por todo o país, mas já alargou a sua presença a outros territórios como o novo circo, graças ao Vaudeville Rendez-Vous – a quinta edição decorre no mês de Julho, em Famalicão, Braga e Guimarães -, e à tradição oral, com os Contos d’Avó, iniciados em 2013.

Presente na cerimónia de apresentação, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, enalteceu a qualidade do projeto, por garantir o apoio da Direção-Geral das Artes num “contexto de contração”, e ainda a capacidade do Teatro da Didascália para manter a ligação às raízes, apesar do seu trabalho chegar já a todo o país. “Os projetos culturais não têm de estar sediados nas capitais de distrito ou na capital do país. É possível ir-se longe a partir de uma vila em Famalicão, resistindo às tentações de se mudarem”, disse.

Previous post

Paulo Cunha avisa que divisão de autarcas “pode ser fatal” para o Norte

Next post

Jovem encontrada seminua e desorientada em Braga

Cidade Hoje