PALAVRAS PARA QUÊ?

PSD. Vive tempos agitados com a saída de Passos Coelho a quem um dia a história se encarregará de fazer justiça. Com dois candidatos já no terreno para lhe suceder e numa discussão qua apela a uma base ideológica ora mais para o Centro Esquerda ora mais para o Centro Direita, é quase garantido que os habituais exageros venham ao de cima e amplifiquem este alvoroço. Desenganem-se, porém, aqueles que pensam que no final da contenda eleitoral o PSD sairá mais fragilizado. Ensina-nos a história que os grandes partidos saem sempre reforçadas das suas disputas internas. Assim também acontecerá com o PSD.

TRINTA E UM. Demorou porventura demasiado tempo, mas a montanha não pariu um rato.  O despacho de acusação que imputa a prática de 31 crimes ao ex-primeiro-ministro, José Sócrates, carreia o mais decisivo processo judicial da nossa democracia e põe a nu o concubinato criminoso entre o poder político e o poder económico nacional. Nunca o Ministério Público fora tão longe numa investigação criminal.

A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, nomeada durante o Governo do PSD/CDS-PP, fez o seu trabalho com independência e sem nunca se deixar intimidar. Duvido que o seu antecessor, Pinto Monteiro, fosse capaz deste desafio. Recordo-me bem do seu tempo. O tempo de uma justiça amedrontada onde as escutas eram destruídas e os processos amputados. A procissão ainda vai no adro, mas há uma pergunta que não sai da cabeça dos portugueses. Como é possível que durante o tempo em que José Sócrates chefiou o governo, ninguém tenha visto nada e de nada tenha desconfiado. Num batalhão de Ministros, Secretários de Estado e assessores, muitos deles hoje no governo de António Costa, eram todos assim tão distraídos ou tão pouco espertos?

 

INCÊNDIOS. O Relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande não deixa dúvidas. O Estado falhou nas escolhas, na liderança e na coordenação. Os incêndios até podiam ser inevitáveis, mas a tragédia essa era de todo evitável. As falhas técnicas deveriam por isso determinar responsabilidades políticas. Assim não aconteceu. Quatro meses depois a história repete-se. Mais palavras para quê?

Jorge Paulo Oliveira

(Deputado do PSD na Assembleia da República)

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