OLHAR PARA O LADO

PINGUE-PONGUE. Já se percebeu que ninguém vai assumir responsabilidades pela tragédia de Pedrógão Grande. A Proteção Civil diz que a culpa é do SIRESP. Este nega qualquer responsabilidade. A Secretaria Geral da Administração Interna acusa a Autoridade Nacional de Proteção Civil que devolve a acusação à procedência. Tudo isto acontece dentro do mesmo ministério. É a desresponsabilização total.

CRIATIVIDADE. Se ninguém no Governo assume qualquer responsabilidade, isso não significa que o executivo e os partidos que o suportam não saibam quem culpar. São até bastante criativos. Depois do raio que nunca existiu, a ministra da Administração Interna vê na extinção dos Governos Civis uma explicação extra para a dimensão da tragédia. Já para o seu Secretário de Estado foi a “curiosidade” que ditou a morte de dezenas de pessoas. O PCP não deixa de vincar que o resultado da reorganização das freguesias não foi indiferente ao que se passou e o eurodeputado socialista, Pedro da Silva Pereira, é perentório “Se a estrada não existisse, as pessoas também não tinham morrido naquela estrada“. Inacreditável.

OBSCENO. No meio da desgraça que roubou a vida de 64 concidadãos, a preocupação do primeiro-ministro foi com o impacto dos fogos na sua popularidade. Vai daí encomendou um “focusgroup”, ou seja, um estudo para medir a sua popularidade. Obsceno.

TANCOS. Há meses desapareceram armas da PSP que acabaram nas mãos de criminosos. Agora, importante arsenal de guerra é roubado dos Paióis de Tancos e pode vir a ser utilizado em ações terroristas. O roubo terá sido facilitado porque o sistema de video vigilância está por reparar há cerca de dois anos.“Não é o maior roubo do século”, disse o ministro da Defesa Nacional numa tentativa vã de desvalorizar o sucedido, ao mesmo tempo que assumia todas as responsabilidades políticas, sem que ninguém haja percebido exatamente o que queria dizer com isso. Em quinze dias, duas áreas essenciais da soberania foram seriamente afetadas. Os portugueses sentem-se mais desprotegidos e mais inseguros e de nada adianta o Governo continuar a olhar para o lado.

Jorge Paulo Oliveira

(Deputado do PSD na Assembleia da República)

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