O RENDIMENTO E O VERÃO: SERÁ A COMUNHÃO PERFEITA?

O RENDIMENTO E O VERÃO: SERÁ A COMUNHÃO PERFEITA?

Quando chega o verão, chega o bom tempo, terminam as aulas, verificam-se alterações hormonais, há mais solicitações, ocorrem distintos acontecimentos apelativos, mas a época desportiva não finalizou, bem pelo contrário, ainda falta a competição mais importante, os Campeonatos Nacionais.

Manifesta-se o fenómeno da epidemia veraneante!

Na realidade, este episódio sucede-se, ano após ano, época após época, o que nos leva a refletir e tentar encontrar, por conseguinte, o antídoto terapêutico adequado.

O calor, o sol, a maior disponibilidade horária e o ócio concorrem para que no corpo humano ocorra um cansaço involuntário, uma sonolência latente e uma menor capacidade de gestão do tempo livre, que têm como consequência uma menor capacidade de recuperação do organismo.

Aqui, assume preponderante importância o “treino invisível”, com uma relevância tão ou mais significativa que o treino visível propriamente dito. Uma das dimensões mais significativas do treino invisível é o período noturno. No verãoverificamos que há maior dificuldade em dormir, o sono é de pior qualidade e menos profundo, dificultando a recuperação física e mental.

Com o calor ambiente elevado a hidratação assume fulcral relevo. Se a hidratação é sempre importante, neste período deverá ser ainda mais considerada e alvo de reajustes, quer pré-treino, per-treino, quer pós-treino. A alimentação tem de ser igualmente ajustada, adequada e impermeável às solicitações e tentações, tais como a ingestão de gelados, batidos, de doces e de bebidas alcoólicas. As tentações são acrescidas e a vontade é vulnerável pelo envolvimento.

De igual modo, as capacidades psicológicas estarão condicionadas, concorrendo para estádios menos favoráveis, que em muitas situações poderão ser prejudiciais ao seu rendimento. A motivação poderá estará diminuída pelos sucessivos treinos realizados ao longo da época, pelas distintas competições, pela exigência imposta, pela pressão, dos resultados bons e menos bons, enfim, por um conjunto de ações cumulativas que poderão concorrer para uma quebra dos padrões ideais de motivação. Aqui, é preponderante estarmos alerta, sensíveis ao processo e encontrar o melhor caminho a seguir, mas sempre na base tripartida de Atleta/Pai/Treinador.

Neste fervilhar de acontecimentos e de relações, é necessário ter a capacidade de gerir as emoções, já que o atleta estarámais suscetível a alterações dos estados de humor, a manifestar-se mais irritado e agressivo, o que poderá conduzir a estádios de tristeza, melancolia e isolamento. Se não houver cuidados para contrariar esta tendência, o atleta poderá ser conduzido para níveis patológicos de sobretreino, da tríade da mulher atleta,de burnout ou de abandono.

Enquanto treinadores eresponsáveis pelo processo é essencial encontrar o equilíbrio das dinâmicas das cargas e da gestão da exigência, quer seja a nível técnico, tático ou fisiológico, quer seja a nível psicológico. Devemos promover uma comunicação facilitada, com seriedade e confiança mutua; diferenciar os momentos de exigência e de flexibilização; fomentar momentos de desconexão diária com a modalidade; promove a manutenção das rotinas pré, per e pós treino/competição; valorizar o treino invisível (dormir, comer, hidratar, descansar); estabelecer objetivos a curto prazo, de forma concreta, já que a concentração poderá estar diminuída e a atenção dispersa.

Concluímos sem qualquer dúvida, que é possível obter rendimento no verão.

Para isso, é preciso estar sempre alerta para os possíveis fenómenos que podem ocorrer e encontraras estratégias que concorram para uma ação terapêutica que permita ao treinador dar treino e ao atleta treinar.

O atleta nunca deve tentar descobrir qual o seu limite, mas sim desejar superá-lo a cada instante. O atleta tem de enraizar que a dor e o cansaço fazem parte do seu uniforme.

 
Acreditar é monótono, duvidar é apaixonante, manter-se alerta: é a vida!
OscarWilde
Pedro Faia

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