O PREÇO DA DERROTA

CAUSALIDADE I. Nos últimos dois anos, o Governo de António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, procedeu a cortes abruptos no orçamento da Proteção Civil. Os cortes foram de tal monta que os recursos financeiros alocados à prevenção e ao combate aos incêndios são substancialmente inferiores aos verificados inclusive nos anos mais duros da troika. Em 2017, como sabemos, Portugal conheceu uma tragédia sem precedentes em matéria de incêndios que causaram a morte de 110 pessoas e consumiram mais de 500 mil hectares de floresta.

 CAUSALIDADE II. De igual modo, nos últimos dois anos o Governo cortou nas transferências para o Serviço Nacional de Saúde ao mesmo tempo que aumentou avassaladoramente a dívida dos hospitais a fornecedores. Ficamos a saber recentemente que a verba de 5 milhões de euros para a ampliação do bloco operatório do IPO de Lisboa, investimento considerado urgente, está bloqueada há dois anos pelo Ministro das Finanças, levando a que mais de 1200 pessoas com cancro aguardem durante todo este tempo por uma cirurgia que não chega. Assinale-se que nos últimos dois anos já morreram 2506 doentes em lista de espera para cirurgia, alguns da área oncológica. Também esta semana fomos confrontados com a notícia de que em 2016 a taxa de mortalidade infantil aumentou. Sim, aumentou. Por seu turno, o surto de legionella que eclodiu no Hospital São Francisco Xavier já fez mortos e apresenta-nos um número de infetados deveras expressivo.

 CAUSALIDADE III. Não ouso estabelecer um nexo de causalidade entre os cortes ou as cativações prosseguidas e as tragédias ocorridas, mas ainda não vi ninguém sustentadamente demonstrar que essa relação causal não pode existir.

 PREÇO. O aumento da derrama do IRC é um erro colossal. O país perde competitividade fiscal internacional e com isso perde capacidade para atrair investimento, sobretudo o investimento estrangeiro de que o país tanto carece. Não há dúvidas que este é o preço da derrota autárquica dos comunistas que António Costa tem de pagar se quiser se manter no governo. As consequências serão bem graves no futuro, mas o que preocupa António Costa não é o futuro, mas apenas e tão só o presente.

Jorge Paulo Oliveira

(Deputado do PSD na Assembleia da República)

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