O ESTADO NÃO ESTAVA LÁ

PAULO CUNHA. Sempre afirmou que ser autarca é ter a possibilidade de transformar a vida das pessoas, de influenciar o seu presente e o seu futuro. É isso que, com sucesso, faz todos os dias. Para isso está próximo delas, dos seus problemas, dos seus anseios, dos seus projetos. Os famalicenses reconhecem-lhe o seu sentido de pertença, de entrega genuína à causa pública e não deixaram de o demonstrar no passado domingo. Milhares de pessoas juntaram-se no Parque de Sinçães para, entusiasticamente, dizerem sim a um novo mandato de Paulo Cunha à frente da autarquia famalicense.

 

ENGANO. Quando tomou posse, o Governo prometeu integrar nos quadros da administração pública, sem exceção, todos os trabalhadores precários. Nunca disse como ia casar essa sua intenção com o compromisso as-sumido perante a União Europeia de emagrecer o número de funcionários públicos. Por essa razão afirmei neste espaço que alguém iria ser enganado. Iludidos os sindicatos, sabe-se agora que o Governo enganou também 80 mil pessoas, tantas quanto aquelas que quer deixar de fora do processo de regularização.

 

ABANDONO. Quase duas semanas depois da tragédia que roubou a vida a 64 pessoas e feriu outras 200, sabemos que muitas morreram queimadas nos seus carros quatro horas depois do início do incêndio porque a estrada não fora encerrada. Sabemos que o Governo está por detrás da manipulação informativa, patrocinada pela Polícia Judiciária, que nos quis fazer crer que tudo tivera origem na trovoada seca. Sabemos que o sistema de comunicações de emergência (SIRESP) não funcionou durante horas e que o plano B, as duas carrinhas compradas por 400 mil euros, de nada servem por não disporem de antenas. Sabemos que o Estado nada fez para evitar o saque das casas. Sabemos que os cadáveres foram transportados num camião de peixe. Sabemos que um bombeiro ferido demorou 10 horas para receber assistência médica. Sabemos que a coordenação distrital da Proteção Civil foi desmantelada nos últimos tempos. Estamos longe de saber tudo, mas sabemos o mais importante. Sabemos que 64 pessoas foram abandonadas pelo Estado. Sabemos que no momento em que mais dele precisavam, o Estado simplesmente não estava lá.

Jorge Paulo Oliveira (Deputado do PSD na Assembleia da República)

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