Nova tecnologia para correta postura das costas testada em duas empresas famalicenses

A dor lombar é uma das principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo. Para perceber o desenvolvimento deste problema de saúde e saber como prevenir e tratar, está a decorrer um estudo que envolve famalicenses.

O projeto chama-se H2020 Smart4Health, é coordenado pelo UNINOVA – Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias, e abrange as empresas famalicenses Hindu e Super 2000, onde estão instaladas duas máquinas de fisioterapia.

Com recurso a tecnologia inovadora, como é a plataforma Smart4Health, os utilizadores fazem o registo, iniciam o treino e, ao fim de 18 semanas, podem ter acesso ao panorama da sua evolução. O treino é suportado por mecanismos de motivação baseados em gamificação (jogo), que promovem o envolvimento do participante.

Os dados recolhidos são depois remetidos para o plano de prevenção do participante na plataforma Smart4Health, onde ele terá a possibilidade de acompanhar a sua evolução e de partilhar os dados com o seu médico, de forma simples e segura, potenciando uma melhoria no conhecimento sobre o seu estado de saúde e bem-estar.

Numa fase posterior, os participantes vão ter a oportunidade de usar sensores em t-shirts ou pulseiras inteligentes, que combinadas com a utilização da aplicação Citizen Hub, vão permitir a recolha de dados em diferentes contextos do quotidiano, inclusive no local de trabalho.

O administrador da Hindu, Luís Cristino, diz que se trata «de estar na vanguarda da saúde ocupacional». O responsável empresarial reforça que «o exercício vai permitir aos colaboradores, mesmo aos que não têm lombalgias, corrigir más posturas e posicionamentos nos seus postos de trabalho». Quanto a benefícios, Luís Cristino considera que «a produtividade vai aumentar e vai haver menos baixas e consequentemente menos absentismo».

O responsável pela Super 2000, Joaquim Peliteiro, afirma que o treino vai ser benéfico para a sua empresa, nomeadamente nos recursos humanos alocados à parte do escritório. «Creio que os benefícios serão grandes, mas serão também importantes para os que têm a função de conduzir durante grande número de horas ou para os que carregam com cargas pesadas».

Maria Marques, Senior Researcher no Uninova e coordenadora destes estudos, realça que «as lombalgias levam a uma incapacidade muito prevalente na população ativa que pode conduzir à perda de qualidade de vida e consequentemente a uma maior taxa de absentismo laboral. Existe durante o treino uma interface gráfica com informação sobre a performance, que motiva e pode ajudar no combate a este problema. Acompanha-se uma bola, num jogo que se traduz num mecanismo de distração que leva a pessoa a corrigir posturas erradas».

O futuro poderá ser diferente. Ricardo Jardim Gonçalves, professor catedrático e coordenador europeu do projeto Smart4Health, explica que «a importância de uma estratégia europeia para a digitalização da saúde que permita uma aproximação personalizada da saúde pela promoção e desenvolvimento de soluções e serviços digitais vocacionados para propósitos sociais, médicos e bem-estar do próprio cidadão, no ativo ou não».