Infarmed retira do mercado cremes para crianças da Wells, Barral e Dermosense

Segundo o relatório a que a Lusa teve hoje acesso, o creme Barral BabyProtect Creme de Rosto usava conservantes não autorizados e em laboratório foi identificado um ingrediente (Phenoxyethanol) não identificados no rótulo, pelo que foi ordenada a suspensão imediata da comercialização e a retirada de todas as unidades existentes no mercado.

O produto Wells Creme Rosto Bebé continha os conservantes Phenoxyethanol e Benzoic acid, que não estavam declarados na lista de ingredientes da rotulagem, além de se ter constatado que “os ingredientes listados não correspondem à verdadeira composição do produto”. O produto continha ainda uma alegação falsa: «0% Fenoxietanol».

“Atendendo a que a pessoa responsável não demonstrou que este cosmético é seguro para a saúde humana, o Infarmed ordena a suspensão imediata da comercialização e a retirada de todas as unidades existentes no mercado”, escreve o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) na circular que determinou a retirada do mercado.

O Infarmed informa ainda que em dois outros produtos – Dermosense creme gordo 100 ml e Dermosense creme de mãos 50 ml – a distribuidora estava a proceder à retirada voluntária do lote em que foram detetadas irregularidades na rotulagem e a Autoridade do Medicamento ordenou “a suspensão imediata da comercialização e a retirada do mercado nacional de todas as embalagens do referido lote”.

A ação de supervisão do Infarmed incidiu sobre 87 produtos de diversas marcas, desde cremes para fralda a loções hidratantes, passando por leites emolientes, cremes protetores e águas de limpeza. No total, foram analisados mais de 1.300 parâmetros (químicos e microbiológicos).

“A maioria dos Produtos Cosméticos analisados (87%) estavam em conformidade com a legislação em vigor à data de análise, relativamente ao tipo e teor de conservantes presentes na sua composição. No entanto, constatou-se que sete dos produtos cosméticos analisados (13%) apresentaram algum tipo de irregularidade”, refere a conclusão do relatório, a que a Lusa teve acesso.

O Infarmed desaconselha o uso em crianças de produtos cosméticos destinados a adultos, de modo a evitar a ocorrência de reações adversas como alergias, dermatites de contacto, reações inflamatórias, entre outras.

Em caso de reações deste tipo, aconselha o consumidor a procurar um médico dermatologista ou um pediatra, suspendendo de imediato a utilização do produto.

“Um produto cosmético nunca deve ser utilizado para outro fim que não o indicado na rotulagem”, sublinha o regulador.

As Pessoas Responsáveis dos produtos cosméticos analisados são provenientes de sete países distintos, sendo a grande maioria oriunda da Europa (97,7%), com especial destaque para França (42,5%), Portugal (21,8%), Espanha (14,9%) e Alemanha (11,5%). Apenas 2,3% dos produtos são originários de países terceiros, nomeadamente do Brasil.

Quanto às formas de apresentação, os produtos cosméticos hidratantes para crianças analisados compreendem sete formas de apresentação distintas, sendo os cremes os mais representativos (56,3%). Os leites e loções, no seu conjunto, correspondem a 34,5% dos produtos.

As restantes formas de apresentação compreendem emulsões, bálsamos, pomadas e óleos.

Entre as marcas analisadas estavam a Mustela, Johnson´s, Corine de Farme, Barral, A-Derma, Uriage, Baby Smile, Avéne, Chicco, Halibut, Aveno, ISDIN, Klorane, La Roche-Posay, Oleoban, Garnier, Aloé Via, Bioderma, Garnier, O Boticário, Auchan, Pingo Doce, Wells, entre outras.

O Infarmed analisou ainda 98 produtos cosméticos de banho para criança (champô, gel de banho e sabonete líquido), representando 39 marcas disponíveis em diversos pontos da cadeia de distribuição, tais como farmácias, supermercados e hipermercados.

Do ponto de vista químico, concluiu que todos estavam de acordo com a legislação em vigor relativamente ao tipo e teor de conservantes presentes. No entanto, para três dos produtos cosméticos analisados, os resultados obtidos “não são consistentes com a rotulagem”, uma vez que figuram conservantes na listagem de ingredientes que não foram detetados em laboratório, pelo que os produtos foram considerados “não conforme”.

Dois outros produtos cosméticos analisados “apresentaram um resultado de teor nalguns conservantes em conformidade, porém, próximo do limite legal”.

Para estes cinco produtos “foi desencadeada a recolha de novos lotes e reanálise para averiguação da conformidade no parâmetro em questão”, refere o relatório.

O Infarmed garante que “continuará a desenvolver campanhas de monitorização e supervisão do mercado português, de forma a garantir a segurança e qualidade dos produtos cosméticos comercializados, dando o seu contributo para que os consumidores portugueses tenham ao seu dispor produtos cosméticos seguros para todas as faixas etárias”.

Most Popular Topics

Editor Picks