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HOSPITAL DE RIBA DE AVE LANÇA PRIMEIRA PEDRA DO CENTRO DE APOIO À DEMÊNCIA

O Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, presidiu, no sábado, dia 20, em Riba de Ave, à cerimónia de lançamento da primeira pedra do Centro de Investigação, Diagnóstico, Formação e Acompanhamento das Demências, promovido pela Santa Casa da Misericórdia.

A obra, que deverá ficar concluída em 2019, vai custar 8,5 milhões de euros e, por enquanto, sem ajudas do Estado português.

O Centro para as Demências é um projecto pioneiro nesta área, mas com o objetivo de ser uma referência para o país, onde se estima que existam 160 mil pessoas com estas patologias.

Isso mesmo ambiciona o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde. «Queremos muito acompanhar este projeto e tirar daqui resultados do mesmo para depois poder aplicar a outros locais do país. Será uma experiência piloto e um local de excelência para testar novos conceitos», referiu o estadista na cerimónia solene que decorreu em Riba de Ave, com várias entidades em representação de instituições públicas e privadas.

Fernando Araújo reconhece que faltam respostas neste país ao nível da demência e mesmo um conhecimento da real dimensão do problema. Por isso, o governante anunciou que a Estratégia Nacional para a Demência deverá ficar concluída em Junho, antes das eleições, para, depois de uma discussão pública, serem tomadas medidas a médio e longo prazo. «Não há soluções simples mas queremos encontrar boas soluções», disse, acrescentando que o projeto da Santa da Misericórdia de Riba de Ave irá ser um valor acrescentado para esta estratégia. Desde logo porque conjuga a assistência com a investigação e o Hospital com a Universidade. Neste caso, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Riba de Ave, Fernando Guedes, destacava a importância da parceria para a melhoria das práticas e para a valorização dos profissionais. Ao passo que António Sousa Pereira, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, deposita grandes esperanças no projeto. «É uma parceria virtuosa. Ambos ficamos a ganhar e deveria ser replicada noutras situações para tirar a Universidade da torre de marfim em que se encontra instalada», realçou. António Pereira salientou ainda a rapidez de execução deste projeto que num curto espaço de tempo passou da conceção à execução, o que lhe dá garantias de uma maior adequação à realidade e «é sinal de dinamismo».

Parceria idêntica é o que o provedor espera que venha a existir com o Governo, desde logo no apoio financeiro à obra e aos serviços que vierem a ser administrados, nomeadamente apoio domiciliário, unidade de dia, internamento diferenciado e cuidados paliativos.

O concurso público internacional será lançado dentro de duas semanas e, para já, à custa da Santa Casa da Misericórdia, que irá avançar com a obra mesmo sem garantias do Governo. O provedor dá conta que a Santa Casa tem tido uma gestão rigorosa e, mesmo assim, terá de recorrer aos bancos. Fernando Guedes espera do Governo um apoio pelo menos nos mesmos moldes do que é conseguido para os normais cuidados continuados.

Há ainda uma outra vertente realçada pelo provedor e que tem a ver com os 120 postos de trabalho que irão ser criados. Um número que agrada à Câmara Municipal de Famalicão, representada nesta cerimónia pela vereadora da Família, Sofia Fernandes. A autarca frisou que esta é uma obra de especial importância para Famalicão e para o país «na proteção e auxílio aos cidadãos numa área com respostas ainda muito deficitárias». Sofia Fernandes entende que as doenças neurodegenerativas precisam de respostas técnicas «mas, ao mesmo tempo, de respostas humanas».

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