O líder concelhio do Partido Socialista não desiste «do desígnio de lançar um movimento cívico, apartidário e com raiz nas forças vivas do concelho, para lançar a ‘primeira pedra’ no projeto de um novo hospital em Vila Nova de Famalicão». A posição é reiterada, em comunicado, enviado após uma reunião com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Ave, que integra o Hospital de Vila Nova de Famalicão.
Sobre a anunciada ampliação e requalificação do hospital, «até ao momento, o financiamento não está assegurado, nem pelo Orçamento do Estado nem pelo PRR ou Portugal 2030», garante o líder socialista que defende que o investimento na saúde «deve estar acima de disputas partidárias e tem de mobilizar a sociedade civil, autarcas e Governo numa reivindicação comum».
Durante o encontro, e segundo consta do comunicado, Luís Vales, da ULS do Médio Ave, identificou como principais problemas a carência de recursos humanos, o elevado número de camas ocupadas por casos sociais e o estado deteriorado das infraestruturas hospitalares. É também mencionado que o orçamento para este ano, na ordem dos 200 mil euros, é «insuficiente, embora a administração reafirme a intenção de investir nas infraestruturas atuais, sem perda de valências. Quanto à unidade de Santo Tirso, mantém-se indefinida a transição para a Santa Casa da Misericórdia», referem os socialistas.
Dos projetos estruturantes em análise, realce para as áreas de pediatria e outra para prestação dos restantes cuidados hospitalares, para o reforço de serviços, incluindo oncologia, e a ampliação das áreas assistenciais e de estacionamento.
De forma mais abrangente, o PS revela-se preocupado com a eventual perda de fundos do PRR e com «a indefinição quanto a projetos estruturantes». Por isso, promete «acompanhar tanto a evolução do hospital como a execução de projetos financiados pelo PRR para defender os interesses dos famalicenses», refere Eduardo Oliveira que diz haver atrasos significativos – os fundos têm de ser executados até junho de 2026. A perda de fundos é «um risco real, caso os projetos não avancem a tempo. É necessário o município disponibilizar verba para o Hospital poder avançar com projetos que têm financiamento do PRR, para garantir uma execução célere de soluções que desbloqueiem os investimentos prioritários», afirma Eduardo Oliveira.
Sobre a situação da rede hospitalar regional, com destaque para a transferência da gestão do Hospital Conde de São Bento, em Santo Tirso, para a Santa Casa da Misericórdia, o processo suscitou preocupações sobre valências essenciais, incluindo o polo de saúde mental, e sobre a articulação entre os hospitais de Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso. Para Eduardo Oliveira «qualquer reorganização deve ser conduzida com total clareza, salvaguardando direitos dos profissionais e qualidade do serviço público prestado à população».