Famalicão: Bruno Vieira Amaral: «é uma honra receber um prémio cujo patrono é Camilo Castelo Branco»

Bruno Vieira Amaral foi galardoado com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco na última segunda-feira, dia 26 de julho, pela obra “Uma ida ao Motel e outras histórias”. De acordo com o escritor, «é uma honra e uma responsabilidade receber um prémio cujo patrono é Camilo Castelo Branco, pela admiração, influência e exemplo que a obra do escritor constitui para a literatura».

A cerimónia de premiação desenrolou-se no Centro de Estudos Camilianos, em Seide. A sessão foi marcada pela presença do presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, pelo direto do Centro de Estudos Camilianos e da Casa de Camilo, Manuel Rocha, pelo representante do júri desta edição, Cândido Martins, e pela representante da Associação Portuguesa de Escritores (APE), Isabel Mateus. O escritor foi premiado com o valor pecuniário de 7.500 euros.

O Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco completou a sua 29º edição este ano. O galardão foi instituído em 1991, pela APE, e é patrocinado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. Além de homenagear uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de país africano de expressão portuguesa, o prémio visa dar a conhecer Camilo Castelo Branco, apoiar escritores e incentivar os cidadãos a ler.

Segundo Paulo Cunha, o galardão «é muito importante para Famalicão e muitíssimo importante para Portugal». «É uma forma de protegermos a língua portuguesa, estimularmos a escrita em português e de apoiarmos os escritores que são arrojados», explicou. «Hoje em dia, ser escritor é uma profissão difícil e muito arriscada, porque vive de contingências que fazem com que muitas vezes haja uma grande imprevisibilidade ao nível das condições económicas dessa atividade», acrescentou.

O autarca explicou que o prémio permite ajudar os escritores portugueses, mas também firma a importância da obra e da vida de Camilo Castelo Branco. «Este prémio homenageia o patrono do autor e é também uma forma de mantermos Camilo Castelo Branco na agenda e de tornarmos atual a vida e a obra de um autor que está muito ligado a Famalicão».

A Câmara Municipal «está perfeitamente consciente da sua responsabilidade, que é promover a vida e a obra de um dos maiores nomes da escrita portuguesa e em português». De acordo com o autarca, «há um duplo ganho com este prémio». «Por isso, nós temos de procurar criar condições para que a sua permanência seja assegurada», salientou.

Isabel Mateus também destacou o papel da autarquia no desenvolvimento deste projeto. «A Câmara Municipal tem tido um papel muito importante na divulgação da cultura portuguesa e, de certa maneira, foi pioneira em relação a outras câmaras, com a criação deste concurso», declarou. A autarquia «tem tido um papel muito importante de promoção, preservação da memória cultural, de consagração e de apoio aos escritores», destacou.

O livro “Uma ida ao Motel e outras histórias” foi publicado em junho de 2020 e é composto por 30 contos. Bruno Vieira Amaral constituiu 60 contos para o Jornal Expresso e decidiu publicar os que se encontram na obra. Para o escritor, vencer este prémio «é um reconhecimento» que o honra bastante. Adicionalmente, Bruno Viera Amaral sublinhou a importância do desenvolvimento destes tipos de iniciativas. «Todos estes prémios, pelo reconhecimento e pelo valor pecuniário, são fundamentais para uma progressiva profissionalização do ofício do escritor», notou.

O escritor, conhecedor de algumas obras de Camilo Castelo Branco, apontou “A queda de um anjo” como «o grande monumento de humor literário de Portugal». «Até hoje, o livro serve-me de inspiração e de grande referência, e serve-me também um sentimento de frustração, porque nunca consegui escrever uma coisa assim», referiu.