ESSA É QUE É ESSA

BELMIRO. Depois do voto contra dos comunistas e a abstenção dos bloquistas à manifestação de pesar no Parlamento pela morte de Belmiro de Azevedo a pergunta que fica é como é que estes dois partidos que desprezam o papel dos empresários e o primeiro até idolatra ditadores sanguinários, conseguem ter o voto de mais de um milhão de portugueses?

CULTURA. Muitas vezes temos a sensação de nos estarmos a esquecer de algo, embora não saibamos exatamente o quê. Eis um sentimento que nunca assola comunistas e bloquistas por alturas da discussão do Orçamento do Estado, pelo menos quando o assunto se dá pelo nome de Cultura. Andam há dois anos a reclamarem mais verbas para a Cultura, que dizem vergonhosamente baixas, mas depois, tal como acontecera para 2016 e 2017, voltam a aprovar, para 2018, um Orçamento para a Cultura que se limita a um envergonhado 0,2% do total do Orçamento do Estado, ou seja menos do que aquilo que tinha no tempo do anterior governo. O esquecimento é, pois, total. Este é o retrato de uma esquerda sem decoro que ao fim de dois anos nunca foi capaz de obter uma posição conjunta com os socialistas sobre o setor apesar de andar com a Cultura sempre no céu-da-boca.

EUROGRUPO. A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo não trará nenhuma especial vantagem para Portugal. Nem “os santos da casa fazem milagres”, nem o ministro das Finanças português, como líder de um grupo com representantes de 18 países, tem legitimidade para colocar os interesses portugueses acima dos demais. Sem embargo, os ganhos reputacionais de Portugal são evidentes. Só por miopia política alguém dirá o contrário.

CAMBALHOTA. Em plena discussão orçamental o PS aprovou e reprovou a proposta do BE para a criação de uma nova taxa sobre as energias renováveis. Uma cambalhota energética que levou Mariana Mortágua a acusar António Costa de não ter honrado a palavra. Este ouviu e calou. E depois? Depois, ainda que o clima se tenha deteriorado, tudo ficou como d´antes. Cinicamente o Bloco de Esquerda aprovou o Orçamento do Estado. Essa é que é essa.

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