EM OUTUBRO VAMOS A VOTOS

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ESPECIAIS. As eleições autárquicas de 2013 decorreram num contexto especial. O país estava sobre intervenção externa, a lei de limitação de mandatos conhecia a sua aplicação prática e, territorialmente, operara-se a reorganização das freguesias que, no continente, reduziu de 4.050 para 2.882 o número de presidências de junta. Estas foram, também, as primeiras eleições autárquicas em que os canais de televisão de sinal aberto, deliberadamente, não fizeram qualquer cobertura à campanha

DESAIRE. Perda de 30 pre-sidências de câmaras municipais no cômputo geral e menos 1,6 milhões de votos comparativamente com as eleições de 2009. Foi esta a dimensão do desaire do PSD nas eleições autárquicas de 2013. O seu pior resultado de sempre agravado com as perdas de grandes concelhos como o Porto, Coimbra, Gaia, Coimbra, Sintra, Vila Real e Funchal.

CONTEXTO.  É um facto que o PSD disputou aquelas eleições num contexto particularmente difícil. Liderava o governo mais impopular da história da nossa democracia e por esta altura recolhia apenas 23% das intenções de voto. Exatamente 11 pontos percentuais abaixo do PS, circunstância sempre relevante nos grandes centros urbanos onde o eleitorado é potencialmente mais sensível à conjuntura da política nacional. A lei que limita a três o número de mandatos consecutivos possíveis foi-lhe também particularmente penalizador. Dos 160 autarcas impedidos, 82 eram do PSD contra 59 do PS.

CAPITAL. Hoje o PSD não é governo, mas o governo não é impopular.  As intenções de voto são superiores (29%), mas o PS continua a 11 pontos de diferença (40%). Tal como há quatro anoso PSD continua a ser o partido com mais presidentes de câmara impedidos de se recandidatarem. Então nada mudou?

Não. Há grandes diferenças com o passado. O PSD já não é um partido hostilizado pelos eleitores, o campo de seleção dos candidatos de primeiríssima linha ampliou-se e o processo eleitoral foi fechado mais cedo. Ao contrário do seu principal adversário, o PSD não foi escorraçado por ninguém. Os candidatos do PSD são confiáveis, preparados, reivindicativos e próximos das populações e esse nunca foi um capital despiciendo.

Jorge Paulo Oliveira

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