Covid-19: Rede de cuidados continuados com 90 doentes e nove óbitos

Das 930 unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados apenas 21 registam casos confirmados de covid-19, correspondentes a 90 doentes, com a rede a registar nove óbitos pela doença e 165 doentes internados ainda a aguardar testes.

Os números foram hoje avançados pela ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência de imprensa diária da Direção-Geral da Saúde (DGS) relativa ao ponto de situação da epidemia de covid-19 em Portugal.

Das 390 unidades, que representam uma lotação de mais de 9.100 camas, 21 registaram casos confirmados de infeção.

“Isto significava 90 doentes positivos, 22 internados em hospitais de referência, os restantes a permanecerem na rede nacional de cuidados continuados integrados, como é a regra geral de distribuição dos casos covid-19 positivos. Se não há necessidade de internamento hospitalar as pessoas devem permanecer no seu meio habitual com as precauções que todos conhecem”, disse Marta Temido.

“Havia 165 doentes a aguardar testes internados na rede e desde o início foram assinalados nove óbitos na rede relacionados com covid-19. Há também na rede nacional de cuidados continuados integrados, como no sistema de saúde, profissionais que são casos confirmados. Neste caso 64 profissionais confirmados e 216 profissionais em quarentena”, adiantou ainda a ministra.

Também presente na conferência de imprensa, a coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Purificação Gandra, disse que as unidades, que cuidam anualmente de cerca de 40 mil doentes, 85% dos quais com idade superior a 65 anos, não podem ser encaradas como lares ou residência para idosos, uma vez que não são estruturas de acolhimento permanente e que o objetivo é o regresso dos doentes às suas famílias.

Reconheceu, no entanto, que no âmbito da pandemia a estrutura etária e a situação de comorbidades dos utentes colocou “um desafio acrescido”.

“As unidades têm procurado responder às exigências desta nova doença, passando por dificuldades que têm vindo a ser colmatadas e ajustadas, nomeadamente o criterioso uso racional dos equipamentos de proteção, bem como a reorganização do trabalho, decorrente das ausências dos profissionais doentes ou em quarentena”, disse Purificação Gandra, sublinhando as medidas de resposta e contenção implementadas nas unidades, de acordo com as recomendações da DGS.

Planos de contingência em todas as unidades, proibição de visitas, testes prévios à admissão, isolamento profilático de 14 dias no mínimo para novos utentes e regras de higienização e proteção de ambientes, para além do uso de equipamentos de proteção individual têm, segundo a coordenadora nacional, “permitido controlar a covid-19 nestas instituições”.

As unidades mais afetadas encontram-se na região norte e nas unidades do Algarve, assim como na rede de saúde mental e na unidade de cuidados pediátricos, não há registo de infeções.

“Podemos afirmar que até agora a situação nas unidades da rede está controlada sem perda de qualidade dos cuidados prestados”, resumiu Purificação Gandra, que deixou uma mensagem de agradecimento os profissionais e equipas da rede que “vencendo o próprio medo e pondo de lado a vida pessoal e a própria família”, têm prestado apoio aos doentes.

Em comunicado divulgado após a conferência de imprensa de hoje, a Associação Nacional dos Cuidados Continuados, que se tem mostrado crítica da atuação do Governo em relação a esta rede, acusando o executivo de discriminar a rede nos apoios concedidos, criticou o discurso de Marta Temido e de Purificação Gandra.

“As palavras simpáticas proferidas pela Senhora Ministra da Saúde e pela Coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) são de uma enorme hipocrisia e chegam a ser mesmo repugnantes”, acusa a associação, em comunicado assinado pelo presidente José Bourdain.

A associação insiste em acusar o Governo de ter uma “atitude persecutória, punidora e discriminatória”, sobretudo no que ao financiamento diz respeito, ao deixar os cuidados continuados de fora do reforço de apoio financeiro ao setor social.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registam-se 504 mortos, mais 34 do que no sábado (+7,2%), e 16.585 casos de infeção confirmados, o que representa um aumento de 598 em relação a sexta-feira (+3,7%).

Dos infetados, 1.177 estão internados, 228 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 277 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril.