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Cientistas da ICVS da UMinho fazem descoberta que pode combater fungo mortal

Uma equipa internacional, que inclui o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, fez uma descoberta que poderá ajudar na luta contra um fungo que mata 200 mil pessoas por ano e provoca doenças pulmonares e alérgicas em milhões de outras. O estudo explica a resposta do sistema imunitário ao fungo “Aspergillus fumigatus” e é publicado esta quarta feira na conceituada revista “Nature”.

A infeção causada por este micro-organismo é uma das complicações que mais preocupa os doentes submetidos a tratamentos médicos complexos, como transplante de medula, sendo fatal em metade dos casos. “Acredita-se que seja responsável por uma série de doenças pulmonares, incluindo a asma, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo”, afirmam os cientistas Agostinho Carvalho e Cristina Cunha, ambos do do ICVS da UMinho.

A equipa internacional, liderada pelo MRC Center for Medical Mycology da Universidade de Aberdeen (Reino Unido), descobriu um mecanismo de resposta imunitária a um componente “inesperado” do fungo. O recetor agora identificado reconhece um pigmento específico do fungo chamado melanina. Em Portugal, o trabalho foi coordenado pelo ICVS, tendo sido identificadas mutações neste recetor que aumentam o risco de contrair infeções em doentes submetidos a transplante em cerca de 25%. Esta descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e terapias personalizadas para combater esta infeção.

“Respiramos diariamente centenas de esporos deste fungo, embora sem consequências graves. No entanto, em situações de debilidade do sistema imunitário esta infeção é fatal na maioria dos casos. Esta investigação permitiu melhorar o conhecimento sobre como o nosso sistema imunitário responde a este micro-organismo, sendo esta informação crucial para melhorar a capacidade de diagnosticar a sua presença em pessoas infetadas e conceber novas terapias capazes de ajudar no tratamento desta doença complexa”, realça Agostinho Carvalho.

O estudo envolveu ainda o National Institute of Allergy and Infectious Diseases, o National Institutes of Health (ambos dos EUA), o Instituto Pasteur (França), o Imperial College London (Reino Unido), a Universidade Friedrich Schiller de Jena (Alemanha), o Centro Médico da Universidade Radboud (Holanda) e, do lado português, o Instituto Português de Oncologia do Porto e o Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade de Lisboa.

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