REMODELAÇÃO A CUSTO ZERO NO HOSPITAL DE FAMALICÃO

O mobiliário da unidade de oncologia do Hospital de Famalicão foi totalmente remodelado por iniciativa do Lions Clube de Famalicão e da Liga Portuguesa Contra o Cancro, com colaboração da Escola de Dança Neuza Rodrigues, da Associação de Voluntários do Hospital e da Casa ao Lado. Uma conjugação de sinergias que permitiu novo equipamento para uma ala importante do Hospital.

Foram sete cadeirões para os doentes, sete mesas de apoio, sete cadeiras de acompanhante, sete suportes de soro e outros equipamentos. A juntar a todo este material, foram pintadas as paredes e colocados alguns desenhos artísticos, numa colaboração entre a Associação de Voluntariado do Hospital e a Casa ao Lado. A Escola de Dança Neuza Rodrigues foi mais uma parceira, ao dar um espetáculo cuja receita reverteu para esta iniciativa.

Com base em apoios da sociedade civil e ajudas da ARS Norte, outras valências hospitalares têm sofrido remodelações. É o caso do Serviço de Medicina Mulheres que passou para o espaço da antiga ortopedia, que foi totalmente remodelado. Falta, agora, requalificar a antiga enfermaria de medicina mulheres para aí instalar outros serviços de internamento, ainda não totalmente definidos.

FUNDO EUROPEU APOIA OBRAS EM QUATRO ESCOLAS

As obras nas Escolas de Esmeriz, Ruivães, Riba de Ave e Conde S. Cosme (sede n.º 1) começam em setembro. As cerca de 700 crianças que irão beneficiar destas remodelações terão aulas em espaços alternativos.

Apesar da Câmara já ter lançado o concurso público destas obras, os quatro projetos mereceram o cofinanciamento  do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no montante total de 1,2 milhões de euros para um investimento de três milhões de euros.

Segundo o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, «esta é uma boa notícia para a educação em Famalicão, que chega em boa hora».

MENINAS DO FAC SÃO VICE-CAMPEÃS NACIONAIS

O Famalicense Atlético Clube alcançou o seu melhor registo no campeonato nacional de equipas. O conjunto famalicense sagrou-se vice-campeão nacional de badminton, na prova que decorreu no Centro de Alto Rendimento (CAR) das Caldas da Rainha, cendendo na final, ante o CS Madeira. Jogaram pelo FAC: Sónia Gonçalves, Joana Oliveira, Adriana Gonçalves, Catarina Martins, Joana Miranda Oliveira e Maria Moreira. Sublinhe-se que, com a excepção de Sónia e Joana, todas as outras atletas são ainda juniores.

CAMPEÃO NACIONAL PROMOVE AEROMODELISMO

O 14.º encontro anual de aeromodelismo, organizado pelo Clube de Aeromodelismo do Vale do Ave, que decorreu no passado fim-de-semana, contou com a presença do campeão nacional de aeromodelismo, Pedro Precioso. Mas outros pilotos nacionais e internacionais participaram no encontro.

Apesar de não estar muito divulgada, esta é uma modalidade com cada vez mais praticantes e de todas as idades.

Manuel Ferreira, presidente do Clube de Aeromodelismo do Vale do Ave, com sede em Cavalões, confessou ao Cidade Hoje que foi uma grande festa do aeromodelismo.

A FESTA

Recentemente Vila Nova de Famalicão celebrou e vivenciou uma festa, em honra do Santo António, denominada As Antoninas, com um levado grau de complexidade na sua organização e propostas verdadeiramente transversais para públicos e idades, de programação e envolvência dos vários grupos da sua comunidade e turistas, que nesta altura do ano nos visitam. É imperativo referir o trabalho da Câmara Municipal de V.N. de Famalicão e da enorme quantidade pessoas envolvidas, das mais variadas Entidades, profissões e níveis de responsabilidade. Uma palavra de respeito e agradecimento pela a sua qualidade, entrega e altruísmo, neste momento tão importante para a nosso Concelho. Queria destacar o trabalho das marchas, dos grupos e de todas as pessoas envolvidas na sua organização e apresentação. São fabulosas, e percebe-se que, a cada ano que passa, o nível, as exigências e o envolvimento de muitas centenas de pessoas, a planificação, as horas de ensaio, a preocupação com os detalhes musicais, coreográficos, estilísticos e de figurinos são objeto de estudo minucioso da tradição, da historia e da nossa identidade. É uma noite de celebração da nossa cultura, dos sentidos, das emoções, das cores e sons que nos diferenciam de outras culturas e comunidades.

As festas populares são recursos culturais convertidos em património imaterial, necessitam de proteção e defesa para que possam ser preservadas, vivenciadas e transmitidas às futuras gerações, mantendo a genuinidade da sua tradição em todos os seus aspetos socioculturais e políticos, nunca excluindo os religiosos. Como manifestações culturais, as festas contribuem para a afirmação da identidade cultural das comunidades locais, reforçando a diversidade cultural e atraindo, cada vez mais, um expressivo número de turistas às cidades onde estas manifestações culturais acontecem.

É curioso perceber que estas festas dos santos populares incluem um conjunto de crenças e gestos mágicos oriundos do paganismo celta. É difícil precisar onde foram os portugueses encontrar este “imagináriofantástico”, este culto do sagrado, com uma estrutura rigorosa do espaço e do tempo e onde avultavam as grandes festas da Primavera e do Outono. É neste contexto de assimilação das crenças e antigos ritos pagãos, que se perpetuaram ao longo dos séculos na tradição oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e crenças que definem a religiosidade popular. Como exemplo, as fogueiras fazem parte da tradição pagã de celebrar o solstício deverão. Já os balões inserem-se na mesma lógica das fogueiras, ou seja, da luz e seus efeitos visuais. Antes, os balões eram lançados para anunciarem o início das festas.

Nos tempos antigos tudo começava com a expulsão do inverno pela primavera, por excelência, o ciclo natural da fecundidade dos solos e da aproximação das colheitas. Era então necessário afastar as secas, as doenças e a esterilidade com rituais e sacrifícios. O homem e a mulher tinham uma relação mais direta e íntima com a Natureza, um respeito e adoração mística por um universo comum no qual se reviam. Por esta razão, não espanta que ainda hoje Santo António e São João tenham a grande responsabilidade de serem os santos casamenteiros. Assim, os grandes santos nacionais tornaram-se, à época, aqueles aos quais a imaginação popular atribuía a milagrosa intervenção capaz de aproximar os sexos, fecundar mulheres, proteger a maternidade, como Santo António, São João e São Pedro.

Segundo Joaquim de Sousa Teixeira, a definição de festa, em síntese, comporta quatro elementos estruturantes: (I) uma celebração simbólica de um objeto (evento, homem ou divindade, fenómeno cósmico, etc.); (II) num tempo consagrado; (III) atividades coletivas múltiplas e diferenciadas; (IV) com uma função expressiva. Ou seja, a festa utiliza uma linguagem mais sensível à constituição social e da identidade, caracteriza-se por dois traços distintos, por um lado toda a atividade ritual em correlação com a organização social do tempo, a cerimónia concreta e, por outro lado, uma atividade social agradável, a festividade experienciada pelos sentidos.

A festa não é um mero produto da vida social, muito menos um simples fator de reprodução da ordem estabelecida pela via da inversão. Tal como o princípio de reciprocidade, não custa repetir mais uma vez, a festa é o ato mesmo de produção da vida. Celebrar as festas antoninas é celebrar a vida da comunidade, é cultura, memória e património. A festa é transitória, efémera, todavia, como diz tão bem Duvignaud, ela “deixa sementes que, mais ou menos tardiamente, agitam os espíritos e perturbam a sonolência da vida comum”.

 

Álvaro Santos

(Diretor e Programador da Casa das Artes)

O REI DAS “CUNHAS”

PEDRÓGÃO GRANDE. Portugal chora, Portugal está de luto. Cada coisa a seu tempo, mas não está fora de tempo dizer que há coisas que nem só o tempo pode explicar. Não podemos aceitar que o tempo passe e com ele as perguntas fiquem sem resposta. O fogo mais mortífero em Portugal, um dos piores do mundo, não pode ser branqueado. Não pode haver responsabilidade apenas para as boas notícias e nunca para as más notícias. Até lá, assinale-se que perante uma das maiores tragédias da nossa democracia, os portugueses voltaram a mostrar que são um povo solidário, a Ministra da Administração Interna revelou outra vez toda a sua insegurança e o jornalismo, na ânsia de mostrar mais e mais, passou os limites da decência. Os portugueses não tiveram só direito a jornalismo, mas também a terrorismo jornalístico.

PROCEDIMENTO. Portugal saiu oficialmente do procedimento por défice excessivo, recuperando por isso alguma liberdade na definição e implementação de políticas orçamentais. Uma excelente notícia sem dúvida. Sem embargo, vale a pena recordar que foi o governo socialista de José Sócrates que aí nos colocou em 2009. Vale a pena lembrar que o sucesso agora alcançado só foi possível porque Portugal conseguiu cumprir o violento programa de ajustamento a que foi submetido, depois da terceira bancarrota socialista, e foi capaz de introduzir reformas que, como o afirmou recentemente a OCDE, estão a ter agora resultados. Resta saber se aprendemos a lição.

CUNHAS. Por estes dias a família de Carlos César, o líder parlamentar socialista, andou nas bocas do mundo. O caso não é para menos. A mulher Luísa, a nora Rafaela, o irmão Horácio, a cunhada Patrocínia e a sobrinha Inês, ocupam lugares de relevo no Estado por nomeação política. Nenhum foi eleito. Todos os partidos políticos têmo cadastro nesta matéria, mas nenhuma outra família em Portugal, dado o número de elementos envolvidos, supera a família “César” no assalto à administração pública. Por favor não venham com essa conversa de que esta é uma família de predestinados. Carlos César é o rei das “cunhas” do nosso sistema político. Ponto final.

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