Os Paços do Concelho de Vila Nova de Famalicão encheram-se esta manhã para a sessão solene da Assembleia Municipal evocativa da Revolução dos Cravos. Numa cerimónia que juntou simbolicamente diferentes gerações, o município assinalou os 52 anos do 25 de Abril com um programa marcado pela memória, mas também pela exigência do presente.
A abertura ficou a cargo da Banda de Música de Famalicão, com a interpretação do hino nacional durante o hastear da bandeira. O momento mais emotivo pertenceu, porém, ao encontro improvável entre mais de 400 seniores da Rede de Academias Seniores de Famalicão e os jovens músicos da Arteduca, que entoaram em coro a Queda do Império, uma ponte entre quem viveu abril e quem o herdou.

O presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, tomou a palavra para sublinhar a profundidade da transformação de 1974. “Abril não foi apenas uma mudança de regime. Foi uma mudança de vida. Foi o início de um novo país onde cada cidadão passou a ter voz, direitos e oportunidades”, afirmou. Para o autarca, honrar esse legado implica muito mais do que recordar, implica agir. “Uma responsabilidade que se cumpre nas decisões que tomamos, nas políticas que executamos e na forma como tratámos cada cidadão.”
Mário Passos recorreu a dados concretos sobre o desenvolvimento do concelho para ilustrar de que forma Famalicão procura, no dia a dia, estar à altura desse compromisso. Das políticas municipais ao crescimento económico, da empregabilidade ao rendimento familiar, passando pela atratividade e pelos serviços coletivos, o presidente quis afirmar o território como “vivo, dinâmico e cheio de futuro”. Cumprir Abril, reforçou, “exige espaço para a iniciativa individual e coletiva. Um caminho que em Famalicão tem sido trilhado com ambição, com desenvolvimento e com responsabilidade.”
A sessão contou com a intervenção de representantes de todas as forças políticas com assento na Assembleia Municipal, encerrando com as palavras do seu presidente, João Nascimento. Num registo mais interpelativo, Nascimento considerou que o 25 de Abril não se satisfaz com a memória. “Pede-nos, sobretudo, exigência, ética e competência enquanto no exercício de funções no serviço público e nas relações interpessoais.” Para o presidente da Assembleia, a liberdade conquistada em 1974 coloca hoje um desafio diferente aos cidadãos: “O verdadeiro desafio já não é ter voz, mas saber usá-la com consciência, medida e responsabilidade.”