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Cardeal Cerejeira era “completamente independente de Oliveira Salazar”

“Muitas das história à volta das relações entre o Cardeal Cerejeira e o Salazar são do âmbito do mito Urbano”. A convicção é do Prof. Luís Salgado Matos, autor da recém editada obra “Cardeal Cerejeira – Um Patriarca de Lisboa no século XX português” e foi proferida numa conferência realizada, na última quinta-feira, em Vila Nova de Famalicão, terra natal do Cardeal Cerejeira.

A sala do Arquivo Municipal Alberto Sampaio encheu para ouvir Luís Salgado Matos a defender que o cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira era “completamente independente” de Oliveira Salazar e desafiar qualquer historiador a provar-lhe o contrário, “com factos”. “Escrevi um livro objetivo sobre “a figura mais marcante da Igreja em Portugal no Séc. XX devido à sua obra de reestruturação eclesial e de reforma das relações da Igreja com o Estado”, afirma na sua obra, não hesitando em dizer que “o Patriarca dava a prioridade absoluta ao que estimava ser a separação entre a Igreja e a política.”

A sessão contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, e do Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, que elogiou a “coragem” de Luís Salgado Matos pela publicação de um livro que “faz justiça” ao Cardeal Cerejeira e à História.

O debate, que foi moderado pela investigadora em direito da Universidade Católica Portuguesa, Inês Granja Costa, esteve inserido no âmbito do ciclo de conferências “Conta-me a História”, que o município de Vila Nova de Famalicão tem vindo a promover à volta da sua História e das suas figuras mais proeminentes.

 

 

 

Recorde-se que D. Manuel Gonçalves Cerejeira nasceu em Vila Nova de Famalicão, na freguesia de Lousado. Foi Cardeal Patriarca de Lisboa durante mais de 40 anos (1929 -1972), tendo sido uma das mais destacadas figuras da Igreja Católica Portuguesa. Participou em três conclaves dos quais saíram eleitos o Cardeal Engenio Pacelli (Pio XII, 1939), o Cardeal Roncalli (João XXIII) e o Cardeal Montini (Paulo VI, 1963), bem como no Concílio Vaticano II (1962–1965). Mais nenhum Cardeal terá participado em tantos Conclaves.

A obra de Luís Salgado Matos tem prefácio de D. Manuel e foi publicada pela Gradiva.

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