“Boom” de aplicações de namoro em contexto Covid-19: crescimento das plataformas está para ficar?

A situação de pandemia mundial da qual todos são afetados criou novas problemáticas, não só a nível da saúde e da economia, mas também pelo seu impacto social nas populações. Incentivados, mas também muitas vezes obrigados, a reduzir os seus contactos sociais e a aumentar o isolamento profilático, todos tivemos, necessariamente, de repensar hábitos e rotinas.

Em Junho de 2020, pouco depois de ter sido anunciada a segunda vaga da Covid-19 em Portugal, um relatório produzido em coordenação entre o instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) e do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), concluiu que, entre os inquiridos, das 3 maiores preocupações para o futuro constava a “incerteza sobre quando voltamos a estar com os nossos familiares, amigos e colegas”, juntamente com preocupações em relação à situação económica do país e à situação da saúde pública.

Tal como muitas empresas tiveram de se adaptar para sobreviver às novas realidades do mercado no contexto de pandemia, também as pessoas foram obrigadas a adaptar a sua vida social.

 

Teletrabalho e “Telenamoro”

Talvez uma das mais comuns e óbvias medidas que as empresas acabaram por adoptar foi o regime de teletrabalho. Embora este método de trabalho já existisse antes da pandemia, o seu aumento exponencial pós Covid-19 tem sido amplamente reportado e discutido. Jornais económicos como o internacional The Economist, entre outros, reportaram como o número de pessoas a trabalhar por casa multiplicou 10 vezes em alguns países em apenas alguns meses.

Paralelo a esta explosão de casos de teletrabalho, foi o “boom” da utilização de aplicações e plataformas online de encontros, tais como o Lovino. Face às recomendações nos últimos meses por parte das autoridades governamentais e de saúde, muitas pessoas, tal como as empresas, adaptaram-se a uma nova realidade e a novas possibilidades de interacções sociais à distância. Embora já fossem conhecidas há muitos anos, estas plataformas de encontros online viram o número dos seus utilizadores aumentar consideravelmente devido à pandemia.

Várias destas empresas acabaram também por inovar, de forma a dar resposta aos novos interesses dos seus utilizadores, criando formas de dispor nos perfis dos utilizadores quem já se encontra vacinado ou a opção de realizar conversações em vídeo.

 

De relações longo prazo a socialização online

Embora estas plataformas online sejam utilizadas maioritariamente por gerações mais jovens da população, na casa dos 20 e dos 30, um crescente número de pessoas acima da casa dos 40 tem sido verificado transversalmente ao longo das plataformas existentes, especialmente entre divorciados.

Numa tentativa de direcionar o máximo possível as suas plataformas às necessidades dos seus utilizadores, vários estudos são realizados para encontrar quais os pontos de interesse mais procurados. Desde hobbies a inclinações políticas ou a aparência física, são vários os critérios que cada pessoa filtra através destas plataformas, com o intuito de encontrar pessoas com o maior grau de compatibilidade possível.

As restrições provocadas pela pandemia ofereceram, involuntariamente, uma nova dimensão às plataformas de encontros online. Para além dos que procuram a sua cara-metade para relações duradouras, muitos utilizadores procuram somente pessoas com quem socializar, com quem partilhar interesses e conversas, sem necessariamente implicar compromissos mais profundos.

 

O namoro online está para ficar?

A resposta à questão que permanece – se este crescimento das plataformas online de encontro é sustentável ou não – depende de fatores complexos e, por vezes, imprevisíveis. Antes de mais, dependerá das implicações da Pandemia Covid-19 e do comportamento do vírus designado como SARS-CoV2 no futuro. O diretor executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, anunciou que o vírus “está para ficar”. Se essa for a nova realidade a que nos teremos de adaptar, as empresas que detêm as plataformas de namoro online podem muito bem ver o seu negócio continuar a aumentar.

Mas mesmo considerando que todas as restrições acabem por desaparecer e toda a população acabe por regressar, por completo, aos seus hábitos e rotinas pré-Covid, a utilização destas plataformas online pode, ainda sim, continuar a crescer. Voltando à analogia inicial, tal como as empresas que manterão o regime de teletrabalho independentemente da evolução da Pandemia, também a crescente utilização das plataformas de encontros online esteja para ficar.