AS MALEITAS DO CORPO TAMBÉM SE CURAM COM OS MIMOS DA ALMA

Estar internado num Hospital traz-nos sentimentos bem vincados de angústia, dor, sofrimento e incertezas. É também quando, obrigados a parar, temos uma melhor perceção de tudo o que nos rodeia.

E na verdade, são os excelentes profissionais (médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar), com a dedicação irrepreensível que nos minimizam o desconforto físico e nos alimentam a alma através da sua bondade, boa disposição e palavras afetuosas, acompanhadas de um sorriso sempre presente.

Quando fui internado no Hospital de VN Famalicão, nos quartos particulares, não era por mim expectável ser instalado num hotel de luxo, mas é inaceitável constatar que não existem as condições de conforto apropriadas para um rápido e saudável restabelecimento. Ou que pelo menos me ajudassem a atenuar a dor física e anímica por que passava.

No que se refere às condições do quarto em que estava instalado, não é aceitável o estado de degradação em que se encontra. Concretamente, e passo a nomear: buracos nas paredes com sinais visíveis de infiltrações, projetores fora do teto e sem lâmpadas, fitas dos estores retalhadas, pintura das paredes desgastada, chão com aspeto velho e gasto, porta que não fechava com o trinco (e que tratei de arranjar), televisão com apenas três canais e imagem desfocada (eu próprio substituí o cabo de antena para melhorar a imagem), não existe ligação WiFi, cama com o comando avariado, mangueira do duche rota, sanita estalada no interior, escoamento lento da água do banho, mau cheiro oriundo dos esgotos, loiça e tabuleiros da comida caducos e de mau aspeto, catering de pouca qualidade, no entanto, aceitável, inadmissível haver apenas dois lugares de estacionamento para os sete quartos existentes.

Questiono, ainda, o custo da diária do acompanhante. Será justo pagar 75,00Euros/dia para usufruir da companhia daqueles que amamos e que aqui permanecem para nos confortar e apoiar nas pequenas tarefas, libertando, inclusivamente, o pessoal auxiliar? Não será este preço um fator de exclusão dos mais desfavorecidos? É por este ideal de igualdade de oportunidades e justiça que nos debatemos diariamente na sociedade?

Fernando Xavier Ferreira

(Presidente da Associação Comercial e Industrial de VN Famalicão)

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