APENAS UMA ENCENAÇÃO 15

APENAS UMA ENCENAÇÃO 16

DESCONFIANÇA. Os portugueses são generosos. Aquando da tragédia de Pedrógão Grande, entidades privadas e cidadãos anónimos angariaram 15 milhões de euros em donativos que o governo rapidamente em parte deles se “apropriou” para alimentar um tal Fundo específico para acorrer à calamidade. O dinheiro esse é que continua a não chegar aos familiares das vítimas. Pior, o governo desviou verbas significativas desses donativos para subsidiar os hospitais de Coimbra, algo que deveria sair do Orçamento do Estado e não dos donativos dos portugueses que objetivamente tinham outros destinatários. Nova tragédia se abateu sobre o país.

Desta feita, os portugueses foram mais contidos nas suas ofertas.

É compreensível.  Simplesmente deixaram de confiar num Estado, mas sobretudo num Governo que é totalmente incapaz de cuidar da sua generosidade gratuita.

INDECÊNCIA. O valor da ética política não vale um chavo para bloquistas. Não se cansam de o demonstrar, mas o exemplo mais gritante foi-nos oferecido com a tragédia que assolou o país. Em 2015, os incêndios ceifaram a vida de duas pessoas, os suficientes para bloquistas exigirem insistentemente a demissão, não do ministro, mas de todo o governo. Em 2017, mais de uma centena de portugueses perderam a vida nos incêndios. O que exige a Catarina Martins? Nada de especial. Apenas que seja repensada a estrutura governamental e de proteção civil. Indecente.

ENCENAÇÃO. O primeiro-ministro lá acabou a pedir desculpa às vítimas dos incêndios. Não o fez com sinceridade. Foi um pedido de desculpas forçado. Forçado pela intervenção do Presidente da República, pelo pedido de demissão, fora do tempo, da ministra da Administração Interna, pelas declarações críticas de militantes históricos socialistas, pela apresentação de uma Moção de Censura e pela insistência do PSD no Parlamento. Até esse dia chegar foi patente a sobranceria, a arrogância, a amoralidade, a insensibilidade e a frieza calculista de António Costa. O primeiro-ministro, não pediu desculpas, encenou um pedido de desculpas. “Se querem ouvir-me a pedir desculpas, eu peço desculpas”. Quem genuinamente quer apresentar um pedido de desculpas, não o faz com altivez, nem o faz nestes termos.

Jorge Paulo Oliveira

(Deputado do PSD na Assembleia da República)

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