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A Praceta em Tebosa

Fora nunca um hábito meu, o do encontro no café, ao fim da tarde, com os amigos. Para aquela conversa agradável em que se esgrimem favoritismos no futebol e se diz mal dos políticos. Entre muitas outras coisas, claro, as bastantes para ir sedimentando a confiança, a boa camaradagem, e, como se verá, idealizando saudáveis iniciativas.

Não vou lá todos os dias, ao café S. Paulo (para quem não sabe, na Rua Ana Plácido). E, porque não lhes pedi autorização, não nomearei os meus companheiros de mesa. Acrescentarei somente, não é costume sair de lá mal disposto com os debates.

Feito o introito, revela-se essencial a identificação de um outro personagem: o Sr. Bruno Duarte, funcionário do S. Paulo, um jovem ainda, no estado civil de noivo, com quem todos os dias a dita tertúlia contactava – era atendida por ele. O Sr. Bruno Duarte, bravamente, como os portugueses de outrora, tomou uma decisão de muita coragem – estabeleceu-se agora por conta própria.

E o presente capítulo, na forma esquálida de um parágrafo, leva-nos às arábias para onde partiu o Sr. Bruno Duarte. Enfim, não vou dizer que tenha sido para muito, muito longe; mas foi para fora deste condado, o Sr. Bruno Duarte instalou-se em Tebosa, já no termo da capital do nosso distrito. Sem querer prolongar a lição de geografia, em terras onde ordena Sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Arcebispo de Braga, Primaz das Espanhas, enquanto as nossas se regem pelos ditames do foral concedido por Sua Majestade a Rainha D. Maria II. Tebosa, com o Sr. Bruno Duarte, transformou-se num local de paragem, em vez de apenas passagem. Aliás, muito gratificante: a gente deixa a EN14 por um bem tratado caminho municipal, faz duas ou três curvas adiante, e sobe até ao silêncio de outras eras, mesmo ao pé da igreja paroquial. Toda ela em granito despido, oxalá ninguém – nem alanos, nem sarracenos – se lembre de a arrasar em outra qualquer invasão. Estamos perto, pois. Naquela calmaria, um pouco abaixo, ergueu-se um prédio civilizadíssimo, sobre o comprido mas dividido em fracções de rés-o-chão e primeiro andar apenas. Na ponta de cá A Praceta, o estabelecimento do Sr. Bruno Duarte. Um poiso excelente para uma cerveja à tardinha e dois dedos de filosofia.

O certo é que o atrás referido grupo de académicos resolveu abençoar honoris causa A Praceta. Combinou-se tudo, os carros que rumariam os domínios arcebispais, o dia e a hora de partida. Assim aconteceu, em conformidade com o planeado. E estava a cabeça da comitiva a chegar a Tebosa ainda a sua cauda rabiava em Famalicão. Tantos os nossos epicuristas!… Com eles, em vez de ouro, incenso e mirra – espumante do bom.

Fomos recebidos com uns petiscos. Fizeram-se as indispensáveis saúdes, souberam-se pormenores. Além de padaria e pastelaria, servem-se também refeições ligeiras e assiste-se à bola no Sport TV.

As felicidades que todos desejámos ao Sr. Bruno Duarte, então, são as que eu, aproveitando este espaço, agora renovo, cheio de esperança no sucesso do seu negócio. Tem-me lá, nas minhas deambulações minhotas!

João Afonso Machado

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