A empresa ndBIM muda o paradigma da construção civil

A Tecnologia BIM – Modelagem de Informações da Construção é uma inovação na área da construção civil e a ndBIM é uma empresa famalicense líder neste setor. O jovem empresário António Ruivo Meireles explica que o serviço BIM é baseado em software para reduzir os riscos, gerir os custos e otimizar o planeamento da obra. É uma ferramenta cada vez mais usada nas grandes empresas.

Cidade Hoje (CH) – Explique o conceito da ndBIM?

António Ruivo Meireles (ARM) – Nasceu em 2013 de uma necessidade. Os projetos de engenharia e arquitetura sempre foram desenvolvidos em duas dimensões e isso não permitia fazer uma boa compatibilização das várias especialidades; com o surgimento da metodologia BIM (Modelagem de Informações da Construção), suportada em software, começou a ser possível desenvolver os projetos a três dimensões e com isso fazer uma melhor compatibilização dos projetos e a quantificação dos trabalhos e dos materiais necessários.

A empresa ndBIM surge, então, para mudar o paradigma da construção. Criámos uma empresa de consultoria e serviços, que apoia incorporadoras no Brasil, promotores imobiliários, donos de obra e construtoras de obras em Portugal.

CH – Quais são, então, as mais-valias deste processo?

ARM – BIM significa Modelagem de Informações da Construção. Mas estes modelos 3D não são imagens, são bases de dados que os responsáveis de obra (nas suas várias categorias profissionais) retiram para as suas tarefas. A grande vantagem é uma base de dados com informação, atualizada, que todos podem consultar e, a partir daí, temos projetos compatibilizados. Permite também mitigar o risco da rendibilidade prevista.

CH – Que recursos é que as empresas precisam para ter estes modelos?

ARM – É necessário investir em software de última geração e dar formação às pessoas para trabalharem com estes modelos. Tudo isso demora tempo, consoante a empresa.

CH – Que problemas encontrou para desenvolver esta tecnologia?

ARM – Durante dez anos, antes de criar este desafio ndBIM, trabalhei na Mota-Engil (construtora portuguesa) e, diariamente, deparávamo-nos com projetos de arquitetura e de engenharia incompletos, mal definidos, com falta de informação, incompatíveis, que muitas vezes traziam problemas na frente de obra. Durante a obra tínhamos que resolver estes problemas, o que trazia atrasos e fazia com que houvesse derrapagens na obra, de custos e quantidade.

Uma das lacunas que existem na indústria de construção é estar compartimentada em silos; cada departamento (arquitetura, engenharia civil, subempreiteiros, etc.) normalmente trabalha para os seus objetivos individuais e não para o projeto no seu todo e, muitas vezes, não tem noção do todo.

Com o BIM isso mudou. Existe uma base de dados única, modelo 3D, em que todos vão contribuindo com informação e sempre que alguém contribui com algo é analisado no todo e nunca se avança de uma etapa para outra sem garantir que efetivamente não existem erros, omissões, que os trabalhos são coordenados e bem quantificados para não termos problemas a nível de custos e prazos.

CH – Como está a ser a aceitação para esta tecnologia?

ARM – Esta metodologia começa a ser obrigatória em muitos países, principalmente no Norte da Europa, Japão, EUA, onde a adoção tem sido muito rápida. Nos países onde a metodologia ainda não é obrigatória, caso de Portugal, estamos muito dependentes da vontade dos privados. Nos últimos dois anos, os privados já não têm dúvidas das vantagens. As grandes obras já são feitas segundo esta metodologia. O próximo passo é as empresas saberem contratar.

CH – Como surgiu essa expansão da empresa para o Brasil?

ARM – A ndBIM é portuguesa, mas nós começamos a trabalhar no Brasil. Fui fazer uma palestra em S. Paulo e fui convidado por várias empresas. Na altura não fazia parte dos meus planos emigrar, mas achei que era interessante avançar com uma empresa de consultoria e prestação de serviços. Estamos em 2013, Portugal ainda estava envolvido numa grande crise económica. No primeiro ano só trabalhámos para o Brasil. Em 2015, o Brasil começa a entrar numa crise económica, Portugal começou a melhorar e iniciamos a trabalhar mais cá. Neste momento, a faturação divide-se entre o mercado do Brasil e o de Portugal.

CH – Perspetivas para o próximo ano?

ARM – Nos últimos três anos temos vindo a crescer cerca de 20% ano; o nosso objetivo é mantermo-nos nesse crescimento que tem refletido um aumento do número de pessoas na equipa. Este ano podemos crescer mais porque vamos lançar um produto novo. É uma plataforma informática disponível na cloud que vai fazer com que as pessoas não tenham que comprar computadores robustos, porque acedem à plataforma diretamente. A maior parte dos softwares que existem no mercado são vocacionados para arquitetos e engenheiros, que representam só 4% dos trabalhadores da construção. Os outros 96% não têm tecnologia disponível para eles e é isso que queremos mudar. Estamos a terminar o desenvolvimento do software e já temos seis empresas parceiras, no Brasil e em Portugal. Cá temos empresas como a Teixeira Duarte e a Garcia Garcia que já manifestaram interesse em fazer parte de um grupo de empresas-piloto que vai adotar o software nas suas obras para nos dar o feed-back com que vamos poder melhorar.

CH – Procuram adaptar-se constantemente ao mercado?

ARM – Faz parte do nosso perfil procurar constantemente a inovação. Estamos numa área relativamente nova, com constante inovação a surgir no mercado e nós temos que nos manter atualizados para passar essa inovação aos nossos clientes. Queremos trazer valor em tudo o que tocamos. Só propomos aquilo que no final vemos que poderá aumentar a rendibilidade de quem nos está a contratar.